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Saúde

Investigadora diz que Portugal fez sempre uma análise ao nível do concelho no combate à pandemia  

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A investigadora Carla Nunes afirmou hoje que Portugal fez sempre uma análise ao nível do concelho e aplicou “medidas muito específicas” no combate à pandemia, ao contrário de alguns países.

Carla Nunes, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública, faz parte do grupo de peritos sobre o controlo da pandemia e apresentou hoje na reunião do Infarmed, em Lisboa, a investigação que estão a desenvolver, na qual analisam indicadores de risco e as medidas adotadas por vários países da Europa Ocidental e do Norte, a Austrália e o Canadá para combater a pandemia.

“Portugal, desde o início, fez sempre a sua análise ao nível do concelho e teve sempre medidas muito específicas quando necessário” como aconteceu, por exemplo, a 22 de outubro, nos concelhos de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira devido ao elevado número de casos de covid-19.

Carla Nunes explicou que esta medida de categorização de concelhos foi declarada em Portugal a 02 de novembro e a 23 de novembro e passou a ter “uma forma mais consistente” com a classificação em “Moderado, Elevado, Muito Elevado e Extremamente Elevado” que se mantém em agora, sendo uma medida que é avaliada de 15 em 15 dias.

Neste momento, a medida não está ativa porque desde o dia 15 de janeiro que Portugal está em confinamento.

“Nós tínhamos estes níveis ativos e tínhamos medidas diferenciadas ao nível de ajuntamentos em espaços públicos, restauração, trabalho, restrição entre concelhos, recolher obrigatório e nas escolas que eram tomadas medidas mais homogéneas e transversais e, portanto, só em casos pontuais é que haveria decisões caso a caso”, explicou Carla Nunes.

Na apresentação, Carla Nunes analisou os Países Baixos, a Irlanda, a Espanha e o Canadá por serem países “com maior abrangência em termos dos indicadores e das medidas associadas”.

Na investigação, o grupo de peritos identificou diferentes abordagens entre países, “umas mais permissivas, outras mais restritivas, e outras mais baseadas em matrizes de risco”. Dos 10 países escolhidos, sete em 10 apresentavam medidas associadas às matrizes de risco em quatro pilares: ajuntamentos, restauração, escolas e trabalho.

“Nos indicadores existem quantitativos com valores de corte bem definidos, mas também qualitativos com abrangência nacionais e regionais”, salientou.

Mas mesmo quando são locais, muitas vezes, são extrapolados para nível nacional quando um determinado número de regiões é identificado como crítica e muitas vezes não são definidos indicadores, mas sim áreas, a referida capacidade hospitalar ou capacidade da saúde pública, não concretizando exatamente qual é que é o indicador, disse Carla Nunes.

“Existe normalmente espaço para decisões não enquadradas na matriz de risco, nomeadamente utilizando referências de uma forma mais qualitativa ou em áreas e não em indicadores”, salientou.

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