Foi conhecida, na semana passada, a seleção de 2025 da revista Physical Review Letters, uma das mais prestigiadas na área da Física.
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Esta seleção inclui o artigo intitulado “First Search for Light Dark Matter in the Neutrino Fog with XENONnT”, que já tinha sido distinguida como sugestão do editor quando foi publicado em Julho passado, tendo como co-autores José Matias Lopes, Prof. Coordenador Principal do ISEC, e a equipa Portuguesa que coordena na experiência internacional XENON (https://xenonexperiment.org/).
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Esta experiência foca-se na procura da matéria escura no Universo, que se conhece ser 5 vezes mais abundante do que toda a matéria conhecida. A inaudita sensibilidade dos sistemas desenvolvidos e operados pelo consórcio XENON na deteção de eventos muito raros tem vindo a ser reconhecida regularmente ao longo das últimas 2 décadas. Em particular, a revista Physical Review Letters, que faz, desde 2024, esta seleção de entre os cerca de 2500 artigos publicados anualmente, tinha já incluído outro artigo deste consórcio na seleção desse ano (https://promo.aps.org/PRL2024), tendo também destacado na última década um total de 8 artigos destes autores como sugestão do editor.
É um facto desconcertante a existência de 5 vezes mais matéria no Universo do que aquela que conhecemos. Esta parcela dominante e que permanece uma incógnita é denominada matéria escura. O seu total desconhecimento levou a um esforço a nível global na tentativa de observar este tipo de matéria usando aparelhos ultrassensíveis que permitirão não só registá-la como começar a entender as suas tão especiais características.
Trata-se de investigação ao nível fundamental. A descoberta e compreensão da matéria escura terá consequências inimagináveis a nível da sociedade.
Por outro lado, para conseguir fazer esta experiência tem sido necessário fazer um enorme esforço tecnológico na criação de novos equipamentos técnicos e científicos (pushing the envelope, expressão em inglês que descreve este facto), inovações e avanços que ficam à disposição da sociedade, à semelhança com o que acontece com os programas espaciais.
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