Economia

Indústria de alimentação animal vive “pior crise” de sempre 

Notícias de Coimbra com Lusa | 40 minutos atrás em 06-02-2026

 A indústria de alimentação animal alertou hoje que o setor vive a “pior crise” de sempre devido “à devastação” causada pelo mau tempo, pedindo ajudas também para as empresas fora dos concelhos abrangidos pela declaração de calamidade.

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Em comunicado, a Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (Iaca) manifesta “profunda preocupação com os efeitos devastadores da tempestade Kristin, agravados pelas consequências da tempestade Leonardo, sobre o setor agropecuário nacional e, em particular, sobre as empresas de produção de alimentos para animais”.

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“Os prejuízos registados em infraestruturas energéticas, de fabrico, armazenagem e redes logísticas destas empresas – cujos montantes concretos ainda estão a ser apurados, mas que se calculam já nas dezenas de milhões de euros – comprometem seriamente a estabilidade produtiva de inúmeras explorações pecuárias portuguesas, uma vez que 30% das empresas de alimentação animal estão em zonas abrangidas pela declaração de calamidade”, salienta.

Segundo a Iaca, as consequências do mau tempo são particularmente graves em dois distritos com vários concelhos abrangidos pela situação de calamidade – Leiria e Santarém –, que concentram 25% das empresas do setor que representam, em conjunto, 35% da produção nacional de alimentos para animais.

Noutras zonas do país, a associação manifesta também “preocupação” com locais onde foram afetadas unidades produtivas relevantes, como o Montijo, concelho que está fora das áreas abrangidas pela declaração de calamidade.

Perante a dimensão dos danos, a IACA alerta o Ministério da Economia e da Coesão Territorial que a operacionalização das medidas de apoio tem de ser rápida e simples e destaca que são necessárias ajudas para “empresas com graves prejuízos, mas que não se encontram nos concelhos abrangidos pela declaração de calamidade”.

Segundo enfatiza, há que assegurar uma rápida recuperação da capacidade produtiva das empresas para garantir o abastecimento das explorações pecuárias, sem o qual a produção nacional de géneros alimentícios de origem animal – designadamente, carne, peixe, laticínios e ovos – “sairá fortemente afetada”.

Citado no comunicado, o secretário-geral da Iaca, Jaime Piçarra, lembra que o setor da alimentação animal “é um elo essencial da cadeia agroalimentar” e, “sem uma resposta rápida e eficaz, os efeitos destas tempestades poderão prolongar-se e comprometer seriamente a recuperação das empresas, a produção pecuária, a economia rural e, sobretudo, a disponibilidade de alimentos de origem animal produzidos no país, tornando-o ainda mais vulnerável e dependente do exterior”.

“Esta é a pior crise jamais vivida pelo setor em Portugal e é necessário acautelar que todas as empresas que necessitem são devidamente apoiadas, não só as que se encontram nos concelhos abrangidos pela declaração de calamidade”, sustenta.

Por sua vez, Romão Braz, presidente da Iaca, considera que “a rapidez com que os apoios chegam ao terreno é, neste momento, um fator essencial para que as empresas possam continuar a sua operação, porque os prejuízos são elevadíssimos”.

“Não falamos só dos danos concretos provocados pela tempestade Kristin, mas também dos prejuízos gerados pela suspensão da produção, causados pela falta de energia e pela sua não reposição, e do impacto que isso tem na disponibilidade de ‘stocks’ para comercialização”, explica.

Neste contexto, a associação manifesta total disponibilidade para colaborar com as autoridades na identificação de prioridades e de soluções para uma rápida recuperação das empresas.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.