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Índio vem a Coimbra denunciar a ocupação das suas terras no Brasil

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O líder indígena Ládio Veron denunciou hoje a ocupação das terras dos Guarani-Kaiowá pelo agronegócio e a situação precária dos acampamentos em que muitos índios vivem à beira de estradas no Estado brasileiro do Mato Grosso do Sul.

ladio-veron

Na quarta e quinta-feira, Veron, que foi candidato a deputado federal pelo PSOL – Partido Socialismo e Liberdade, será recebido na Assembleia da República por vários deputados e pela comissão de Ambiente, além de participar nesta viagem em eventos em Lisboa, Porto e Coimbra.

“A viagem que estamos a fazer é para denunciar a situação do meu povo, os Guarani-Kaiowoá, do Mato Grosso do Sul, que está a sofrer um ataque frontal e direto pelas nossas terras tradicionais, nas quais hoje está a ser expandido o agronegócio”, referiu à Lusa Ládio Veron.

“Há várias indústrias, usinas de cana-de-açúcar (fábricas que processam a cana) estão a ocupar as nossas terras”, alertou o cacique.

O líder indígena termina esta semana em Portugal uma longa viagem por 13 países, entre os quais Irlanda, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e outros, para denunciar a situação caótica em que vivem as populações indígenas no Brasil.

“Hoje eu estou a ser ameaçado (de morte). Vim pedir na Europa segurança para mim. Eu não temo a morte, porque se morrer, vai surgir outras lideranças que assumirão a luta pelas nossas terras.

Esta é a região brasileira com maiores índices de violência contra os povos indígenas, já que nos últimos 15 anos já terão sido assassinados 400 índios, entre os quais, o pai de Ládio Veron, Marcos Veron, que foi assassinado em 2003.

No Estado do Mato Grosso do Sul, enquanto o agronegócio se expande, as tribos indígenas sobrevivem em pequenos terrenos cercadas por monoculturas de soja, milho e açúcar.

Os indígenas lutam pelo direito a uma pequena parte das suas terras (cerca de nove mil hectares, que representam 2% do Estado), de onde foram expulsos a partir do século XVI.

“Há 88 áreas indígenas, nós conseguimos recuperar 46 áreas pela justiça, 16 delas já estão demarcadas e homologadas, com a documentação e processo da terra prontos”, disse Veron, que é da aldeia Taquara no município de Juti, que já está demarcada e homologada.

Devido a recursos interpostos no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos fazendeiros e industriais, os indígenas só ocupam apenas uma pequena parte das suas terras, sendo que muito vivem amontoados em cerca de 25 acampamentos à beira das estradas.

São centenas de pessoas, inclusivamente crianças, a viver nestes acampamentos. “Não ocupamos nem 10% das nossas terras”, lamentou o líder indígena.

Veron referiu que nestes acampamentos à beira das estradas há uma grande taxa de mortalidade infantil, não há água potável, atendimento médico ou medicamentos e são muitas vezes distantes das cidades, sendo uma situação extremamente precária.

O líder indígena referiu que a demarcação e homologação das reservas no Mato Grosso do Sul foram feitas no período do Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Entretanto, acusou o Governo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser conivente com os grandes industriais e fazendeiros, referindo que o atual Governo (de Michel Temer) “é ainda pior”.

“Nós temos duas bancadas no Congresso Nacional que não querem que as terras sejam devolvidas aos indígenas. São os ‘ruralistas’ (deputados ligados aos grandes proprietários de terras) e ‘evangélicos’ (ligados às igrejas evangélicas).

Ládio Veron também referiu uma emenda constitucional (PEC-215) que está em debate no Congresso Nacional e que pretende passar para os deputados e senadores a questão das terras indígenas, tarefa entregue atualmente ao Executivo.

“Isso não vai acontecer. Os índios estão a pressionar o Governo para que isso não aconteça, que esta PEC-215 não seja aprovada”, declarou.

O líder indígena também denunciou a criação de milícias pelos fazendeiros e industriais da região para incutir o medo, atacar e matar os índios e os sem-terra.

 

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