Política

IL de Coimbra diz que desfiliação de vereadora do Chega “cheira a teatro político”

Notícias de Coimbra | 4 horas atrás em 11-01-2026

 A desfiliação da vereadora da Câmara de Coimbra, Maria Lencastre Portugal, do partido Chega “cheira a teatro político”, acusou hoje a Iniciativa Liberal (IL), que espera não ver as suspeições confirmadas na atribuição de pelouros ou competências.

PUBLICIDADE

publicidade

“A Iniciativa Liberal considera que este episódio cheira a teatro político. Um teatro mal encenado, tolerado, ou mesmo promovido, por Ana Abrunhosa [presidente da Câmara de Coimbra eleita pela Coligação Avançar Coimbra (PS, Livre e Pan)], para normalizar acordos de bastidores e preparar a redistribuição de poder dentro do executivo municipal”, destacou.

PUBLICIDADE

A vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, Maria Lencastre Portugal, anunciou esta manhã a desfiliação do partido Chega, com efeitos imediatos, invocando razões relacionadas com o enquadramento do exercício do mandato autárquico, para o qual foi eleita em outubro.

A autarca explicou que a decisão resulta de uma “incompatibilidade objetiva” entre orientações internas recentemente aprovadas pelo Chega e a forma como entende que deve ser exercido o mandato local, “assente na autonomia dos eleitos e na representação direta dos cidadãos”, passando agora a exercer funções como vereadora independente.

A IL reagiu, em comunicado, evidenciando que esta desfiliação não surpreende e vem mesmo confirmar “tudo aquilo que a IL Coimbra tem vindo a denunciar desde o início deste mandato”.

“O vereador da Iniciativa Liberal [Celso Monteiro, eleito pela Coligação Juntos Somos Coimbra] alertou expressamente para este cenário na reunião do executivo de 22 de dezembro [de 2025]. Nessa altura, ficou claro que a alegada estabilidade política em Coimbra assentava em equilíbrios artificiais, em alianças informais e na instrumentalização de mandatos ao serviço de jogos partidários”, referiu.

Para a IL de Coimbra, os acontecimentos de hoje “dão inteira razão a esses alertas”, ficando evidente que “quem votou no Partido Socialista acabou, na prática, por votar neste pântano político”.

“Um pântano liderado por Ana Abrunhosa, onde o PS governa colado ao Livre, ao PAN, à CPC [Cidadãos por Coimbra] e, agora sem qualquer disfarce, ao Chega. A incoerência é total e a hipocrisia política absoluta: partidos que se dizem incompatíveis unem-se sempre que está em causa a manutenção do poder, dos cargos e da influência”, vincou.

O documento da IL de Coimbra diz ainda esperar que a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, não venha a confirmar as suspeições de “teatro político”, através da atribuição de pelouros ou competências a Maria Lencastre Portugal.

“Se o fizer assumirá, sem margem para dúvidas, que tudo isto não passou de uma encenação ao serviço de interesses partidários. Se tal acontecer, será um momento de profunda vergonha política não apenas para o Partido Socialista, mas também para o Livre, o PAN e a CPC, que continuam a sustentar este modelo de governação oportunista, incoerente e profundamente desrespeitador dos eleitores. Todos são cúmplices”, sublinhou.

A Iniciativa Liberal de Coimbra deixou ainda a promessa de “continuar a fazer aquilo que os outros evitam”.

“Denunciar sem rodeios, dizer a verdade aos cidadãos e enfrentar este sistema de conveniências, acordos tácitos e hipocrisia política. Coimbra merece muito mais do que este espetáculo indigno”, concluiu.

Em outubro do ano passado, a Câmara Municipal de Coimbra passou a ser liderada por Ana Abrunhosa, eleita pela Coligação Avançar Coimbra (PS, Livre e Pan), que arrecadou cinco mandatos.

Também a Coligação Juntos Somos Coimbra (PPD/PSD, CDS-PP, IL, NC, PPM, VP e MPT) assegurou cinco mandatos, enquanto o Chega elegeu um, Maria Lencastre Portugal, que anunciou esta manhã a desfiliação do partido.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE