Por cada hora que passamos sentados, perdemos 21 minutos de vida

Notícias de Coimbra | 7 anos atrás em 16-10-2017

O Dia Mundial da Coluna celebra-se nestes dia 16 de outubro. Conheça a opinião e os conselhos do especialista Luís Teixeira.

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Não é por ser mundial da coluna que deve ser o único dia do ano em que olhamos por e para ela, mas eu sou suspeito porque a cirurgia da coluna e o seu bem-estar ocupam-me 365 dias por ano. 

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Mais do que qualquer outra coisa, as efemérides servem-nos para recordar a importância das coisas e para nos sensibilizar para os maus hábitos que, inconscientemente, praticamos e que tanto nos prejudicam.

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Recentemente tive oportunidade de ler um estudo realizado a 2 mil trabalhadores ingleses pela BritishHeart Foundation e pelo grupo GetBritainStanding que concluiu que cerca de 40% das pessoas ficam em pé menos de 30 minutos por dia, no seu período laboral, evitando sair da secretária para almoçar e chegando mesmo a adiar idas à casa de banho.

Ora o nosso corpo não foi feito, nem está preparado para ser sedentário. Esta realidade é cada vez mais transversal, e Portugal é um país onde o número de horas laborais ultrapassa a média Europeia (41 horas por semana versus 28) o que provavelmente torna estes números ainda mais preocupantes. 

Também de acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Queensland, na Austrália, por cada hora que uma pessoa passa sentada, depois dos 25 anos de idade, reduz a esperança média de vida em 21 minutos.

De facto, trabalhar sentado numa cadeira confortável, pode fazer mais danos do que julga à sua coluna. A circulação de oxigénio, o motor que trabalha para todas as células do organismo manterem a sua função usando a corrente sanguínea, precisa, ironicamente, que movimente o corpo. Até em profissões como a minha, em que não existe uma limitação a uma secretária, pode acabar muito tempo retido numa só posição e estar a provocar os mesmos obstáculos à sua saúde.

A conduzir, nos transportes, à secretária no escritório ou no sofá. Os cenários mudam, o ato é o mesmo – estar sentado. Faça as contas, quantas horas por dia passa sentado?

Os números surpreendem e os problemas que pode causar são reais: Desconforto, dormência, desalinhamento da coluna, lesões nas articulações e má circulação sanguínea são apenas algumas das consequências, a longo prazo, de períodos prolongados em posição sentada, estática, pouco natural para o corpo humano. 

Estar sentado implica uma distorção da curva natural da coluna, pela nova distribuição de peso que é imputada ao corpo humano, habituado a sustentar-se em pé.

Essa razão leva a que novos músculos tenham que realizar esse trabalho, para que nos mantenhamos com o tronco levantado e contra a gravidade, e o preço a pagar é altíssimo!

No entanto, existem algumas maneiras e hábitos que podemos alterar no nosso local de trabalho para prevenir problemas de coluna e músculo-esqueléticos, e, consequentemente, as temíveis dores nas costas.

O sedentarismo é um problema que afeta a sua vida e está na altura de se movimentar contra ele”.

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Estatísticas Mundiais:

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, as dores nas costas são responsáveis por 50% dos casos de incapacidade física na população adulta, levando 400 mil portugueses a faltarem ao trabalho por ano, numa média superior a 33 mil por mês. Esta tendência crescente, que é já a segunda causa de visita ao médico, tem ainda um saldo pesado nas contas públicas.

Dados nacionais: custos financeiros

Em Portugal, só a taxa de absentismo e as reformas antecipadas provocadas pela dor crónica nas costas e articulações representa um despesa indireta de quase 740 milhões de euros anuais, de acordo com uma investigação desenvolvida, em 2012, pela Universidade Católica.

Estatísticas SpineCenter

Entre janeiro e setembro deste ano, quase 2300 portugueses procuraram ajuda especializada no SpineCenter – a maior unidade de cirurgia da coluna nacional – devido a dores nas costas, totalizando uma média de 244 consultas por mês. De entre os pacientes, no ano de 2016, verificou-se ainda um aumento até à data de 9% dos casos em idade ativa (entre os 25 e os 55 anos).

Conselhos para uma postura mais saudável no trabalho:

Sente-se bem: Posicione os seus joelhos num ângulo de 90ºC e mantenha os pés apoiados e planos no chão e afastados à medida da largura dos ombros de forma a evitar tensão nas articulações.

Se tem por hábito transportar objetos pesados, como o computador, opte por mochilas justas ao corpo e com um reforço que proteja a coluna;

Faça intervalos de 10 minutos de 50 em 50 minutos para reduzir a pressão nos discos vertebrais e a tensão acumulada nos ombros e zona cervical e ainda para promover a circulação. Levante-se para ir à casa de banho, beber água, atender telefonemas ou, simplesmente, para esticar as pernas. Aproveite reuniões para estar de pé ou para dar um passeio e prefira as escadas ao elevador.

Faça alongamentos, sobretudo ao nível dos braços, pescoço e costas, diariamente. Fora do emprego pratique Yoga ou Pilates de forma a melhorar a sua postura, fortalecer os músculos abdominais que ajudam a suportar a coluna e a aumentar a sua flexibilidade.Não cruze as pernas. Estar sentado com as pernas cruzadas dificulta a circulação e sobrecarrega os músculos ao redor da pélvis.

Atenção ao telefone: Se passa muitas horas ao telefone, não o apoie no pescoço e ombros. Evite fazer multi-tasking em chamadas telefónicas e utilize um auricular para qualquer conversa que dure mais do que cinco minutos.

Procure manter a cabeça e o pescoço alinhados. O ecrã do computador deve estar ao nível dos olhos e o mesmo se aplica a tablets ou ecrãs de telefone. É aconselhável, também, que mantenha uma distância de 40 a 70 cm do seu monitor e que o rato e o teclado estejam colocados lado a lado.

Posição na cadeira – Garanta que as suas costas estão bem apoiadas e que não ficam demasiado retas. Evite também estar sentado à ponta da cadeira para prevenir uma má postura.

Hidrate-se: A água ajuda a manter as articulações e os músculos devidamente lubrificados e a evitar rigidez no pescoço, joelhos e articulações.

O tipo de cadeira: Se puder escolher a sua cadeira invista numa com as dimensões apropriadas para o nosso corpo e que não seja rígida. O assento deve ser firme e profundo o suficiente para suportar as nossas coxas sem forçar o ângulo posterior dos joelhos, ter apoio para os antebraços e as bordas anteriores do assento devem ser arredondadas.

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