Um homem polaco, na casa dos 30 anos, passou por anos de sofrimento devido a uma grave reação alérgica à tinta vermelha de uma tatuagem no antebraço, que o levou a múltiplas cirurgias para remover a pele afetada.
O caso, publicado na revista Clinics and Practice, alerta para os riscos que alguns pigmentos de tatuagem podem causar.
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Os sintomas começaram cerca de quatro meses após a tatuagem, com uma erupção cutânea vermelha e pruriginosa que se espalhou pelos braços e peito, evoluindo para eritrodermia, uma inflamação cutânea generalizada e grave. Inicialmente, os médicos suspeitaram de eczema, mas verificaram que as alterações surgiam especificamente na pele tatuada quando o paciente interrompia a medicação.
Nos anos seguintes, o homem perdeu a capacidade de transpirar, todos os pelos do corpo e desenvolveu vitiligo, uma condição que provoca o clareamento da pele. Apenas após a remoção completa da tinta vermelha e o uso de medicação imunossupressora a sua condição começou a melhorar. O cabelo voltou a crescer e a progressão do vitiligo foi interrompida, embora os danos às glândulas sudoríparas sejam permanentes.
Casos extremos como este são raros, mas estudos sugerem que cerca de 6% das pessoas apresentam reações sistémicas ou problemas persistentes após fazer uma tatuagem, e até 67% relatam reações cutâneas de gravidade variável.
Os médicos da Universidade Médica de Wroclaw sublinham a necessidade de regulamentações mais rigorosas sobre a composição das tintas de tatuagem, bem como de educação para tatuadores e público em geral sobre segurança. Em 2022, a União Europeia introduziu regras que limitam substâncias químicas perigosas nas tintas, mas em muitos países essas regulamentações ainda não existem.
A equipa médica não conseguiu analisar a tinta usada na tatuagem, impossibilitando a identificação de substâncias tóxicas ou cancerígenas, como mercúrio ou corantes azo sintéticos, comuns em pigmentos vermelhos.
Segundo os especialistas, a reação do homem pode ter sido agravada por uma condição autoimune preexistente, que tornou o seu sistema imunológico mais sensível. Biópsias de pele revelaram que restam poucas glândulas sudoríparas, mesmo nas zonas não tatuadas, o que o impede de transpirar normalmente. Atualmente, o homem utiliza um borrifador de água para se refrescar, mas não consegue praticar exercício físico nem trabalhar como antes, correndo risco de insolação.
Os médicos alertam que pessoas com doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto, dermatite atópica, asma ou doença celíaca, devem ter particular cuidado ao fazer tatuagens, especialmente com tintas vermelhas, devido ao risco de reações graves.
Este caso evidencia a crescente preocupação com a segurança das tintas de tatuagem, cuja composição muitas vezes não é totalmente conhecida e pode desencadear respostas imunológicas severas e duradouras.
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