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Coimbra

Herança luso-sefardita inspira colóquio internacional com convidado da UC

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Especialistas nacionais e internacionais participam quinta e sexta-feira no III Colóquio Internacional Diálogos Luso-Sefarditas, em Leiria, onde se discutirá a herança serfardita, “uma questão sempre presente na sociedade e na vida política portuguesa”, defende o historiador Saul António Gomes.

Durante dois dias, investigadores de universidades de França, Brasil, Espanha, Turquia, Suíça, Canadá e Portugal partilham e debatem visões sobre a história e a identidade cultural sefardita, relativa a descendentes dos judeus que viveram em Portugal antes da expulsão em 1496 e também dos cristãos-novos, em especial no mundo lusíada.

A intenção, sublinha a organização do colóquio em comunicado, é valorizar o conhecimento desse passado, tentando compreender o legado luso-sefardita no contexto atual.

O assunto está longe de ser tema ultrapassado, frisa o medievalista e investigador da Universidade de Coimbra, Saul António Gomes, que será um dos convidados:

“A herança sefardita é uma questão sempre presente na sociedade e na vida política portuguesas contemporâneas como bem se demonstrou, ainda recentemente, com a questão da concessão da cidadania aos descendentes luso-sefarditas”, afirmou à agência Lusa.

Saul António Gomes nota que essa presença “deixou marcas em todos os continentes tocados pelos portugueses de há seiscentos e quinhentos anos atrás e desde então”, num efeito que “não se fecha apenas no passado”:

“É uma realidade presente e contemporânea de cujas heranças e continuidades todos somos também herdeiros e atores”.

Após as edições de Coimbra (2017) e Aveiro (2019), o desafio do colóquio em Leiria será procurar “o essencial de um património comum que tem no chão português um dos seus capítulos mais eloquentes”, ao mesmo tempo que na matéria entroncam “alguns dos desafios e problemas constantes na história do mundo”. Nomeadamente questões como “as das intolerâncias, das discriminações, dos racismos, dos totalitarismos, em última análise, dos valores e direitos humanos fundamentais da liberdade e da democracia”, frisa o investigador da Universidade de Coimbra.

Esse é um dos motivos para a realização em Leiria do III Colóquio Internacional Diálogos Luso-Sefarditas, diz a vice-presidente do município.

Anabela Graça deseja “o necessário debate contemporâneo em torno dos valores cívicos da tolerância, do respeito pela diferença religiosa e cultural e da democracia na sociedade contemporânea”, garantindo que “Leiria é um destes lugares”.

Na cidade existe até o Centro de Diálogo Intercultural (CDIL), sublinha. Ali estão representadas as três religiões do Livro – cristã, judaica e islâmica -, apresentado enquanto “agente de união e comunicação, como o contador de uma história emocionante, a de uma Leiria intercultural e dialogante”.

O programa abre dia 15, no Teatro Miguel Franco, com conferência de Rica Amran, do Centre d’Etudes Hispaniques d’Amiens, Université de Picardie Jules Verne, França, desdobrando-se até sexta-feira pelo CDIL e Igreja de S. Pedro.

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