O concelho de Vila Nova de Poiares volta a afirmar-se como território de fortes tradições pascais, onde a religiosidade, a gastronomia e o convívio comunitário continuam a marcar esta época do ano.
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Entre celebrações religiosas, costumes ancestrais e iniciativas gastronómicas, a Páscoa mantém-se como um dos momentos mais emblemáticos da identidade local.
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A quadra pascal em Vila Nova de Poiares é tradicionalmente vivida com grande significado religioso e social. Procissões nas aldeias, encenações teatrais, celebrações litúrgicas e a confeção de doces e pratos típicos fazem parte das festividades que assinalam a morte e ressurreição de Jesus Cristo, marco central da fé cristã.
Com a chegada da Primavera, as famílias preparam as casas para receber a tradicional visita pascal — o chamado “compasso” — abrindo a porta principal e a sala mais nobre para acolher a Cruz do Cristo Ressuscitado. À mesa, mantém-se o costume de receber familiares, amigos e vizinhos num ambiente de partilha, onde não faltam amêndoas, doces regionais, vinho do Porto ou vinho caseiro, licores e produtos locais, como se pode ler na Turismo Centro de Portugal.
Entre as memórias transmitidas oralmente pelos habitantes, recordam-se tempos de maior dificuldade económica, em que até as toalhas eram pedidas emprestadas entre vizinhos para dignificar a passagem da Cruz, testemunhando o forte espírito comunitário do concelho.
Durante a Quaresma, período tradicional de jejum e reflexão, persistia o hábito de não consumir carne às sextas-feiras, culminando na Sexta-Feira Santa. O Domingo de Ramos assinalava a entrada de Cristo em Jerusalém, antigamente celebrado com procissões hoje desaparecidas em várias aldeias.
A tradição gastronómica assume particular destaque no almoço do Domingo de Páscoa. Cabrito, borrego, galo e outras carnes são presença habitual, refletindo a importância histórica da criação e comércio de gado no concelho. Em algumas casas, mantém-se também a tradição da chanfana.
O folar ocupa igualmente um lugar central na identidade local. Antigamente produzido em grande escala nos característicos “fornos da poia” e vendido na vizinha cidade de Coimbra, podia apresentar ovos inteiros decorados com tiras de massa em forma de cruz. Atualmente, o folar de Poiares distingue-se por não incluir ovo inteiro no topo, embora continue a ser consumido ao longo de todo o ano.
A tradição de “tirar o folar” mantém-se viva, simbolizando abundância após o período de jejum quaresmal, com padrinhos e madrinhas a oferecerem folares ou pão aos afilhados, acompanhados das respetivas bênçãos.
O momento mais emblemático das celebrações continua a ser a visita pascal. Grupos compostos por quatro a cinco elementos — incluindo quem transporta a cruz, a campainha e a caldeirinha — percorrem as aldeias, levando a bênção às casas que previamente ornamentam as entradas com tapetes de flores e rosmaninho.
Outro costume preservado é o leilão de oferendas realizado nas capelas das aldeias no Domingo de Páscoa. Produtos agrícolas, enchidos, vinho, folares ou até animais vivos são oferecidos pelos habitantes, muitas vezes em cumprimento de promessas, revertendo as receitas para a manutenção das capelas locais.
Inserida nas celebrações, decorre entre 1 e 5 de abril a Semana Gastronómica do Cabrito e do Folar, iniciativa que convida visitantes a descobrir os sabores tradicionais do território.
Os restaurantes aderentes — O Confrade, A Grelha, Casa dos Frangos As Medas, Dom Dinis, Dona Elvira, Estrela da Mó, Paddock e Tina Cozinha Regional — apresentam menus especiais onde o cabrito e o folar assumem papel de destaque, promovendo os produtos locais e a identidade gastronómica da região.
A iniciativa é promovida pelo Município de Vila Nova de Poiares, em parceria com a Confraria da Chanfana, reforçando a afirmação do concelho como Capital Universal da Chanfana e Capital Nacional do Artesanato e da Gastronomia.
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