Coimbra

Há cada vez mais famílias a recorrer à Cáritas de Coimbra porque não ganham para pagar as contas (com vídeo)

Zilda Monteiro | 1 ano atrás em 14-11-2022

Os pedidos de ajuda não param de chegar à Cáritas Diocesana de Coimbra. São cada vez mais as famílias que não estão a conseguir fazer face a todas as despesas, apesar de trabalharem e terem os seus vencimentos.

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“As pessoas estão a tentar cumprir com as suas despesas e não sobra dinheiro para comprar roupa, artigos para a casa e até a própria alimentação está comprometida”, explica Ana Paula Cordeiro, coordenadora do Centro de Apoio Social da instituição.

Lamenta que terem os seus empregos não seja suficiente para assegurarem a sua sustentabilidade financeira e diz mesmo que, atualmente, o facto de “se ganhar bem não significa que não se vá precisar de ajuda”.

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Para já, a classe média não está ainda a procurar a instituição mas esta responsável teme que tal suceda no próximo ano, caso continuem a aumentar as rendas e prestações das casas e o valor das faturas, não só a nível da alimentação mas também de outros bens essenciais, como a eletricidade e os combustíveis.

Nesta fase, são muitos os emigrantes que pedem ajuda, sobretudo brasileiros e oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP’s). Juntam-se aos portugueses que estão a passar por grandes dificuldades, sobretudo aqueles que tinham trabalhos precários e perderam os seus já parcos rendimentos.

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A procura tem subido muito nos últimos meses e, segundo Ana Paula Cordeiro, as pessoas pedem sobretudo bens alimentares e de higiene mas também apoio a nível do mobiliário e utensílios para a casa. Com o inverno a chegar, procuram ainda roupa quente, tanto para casa como para vestir. A instituição tem assegurado também, em casos pontuais e sempre que possível, pagamentos de rendas e de despesas de luz, água, gás e medicamentos.

As situações mais dramáticas surgem quando se trata de famílias com crianças ou monoparentais, na maioria mães que têm que suportar sozinhas todas as despesas.

Os pedidos de ajuda têm vindo a crescer de forma preocupante desde a pandemia da covid-19, com os números quase a quadruplicar em apenas três anos. De acordo com Ana Paula Cordeiro, em 2019 a Cáritas atendeu 3.651 pessoas, número que subiu para 6.263 em 2020 e para 14.482 em 2021. Teme que estes números sejam ultrapassados este ano e realça que são referentes a todos os serviços de apoio social da instituição – sede (no Areeiro), Centro Comunitário de Inserção (na rua Direita), Centro Comunitário S. José (Bairro da Rosa), Centro de Dia Sol Nascente (rua Antero de Quental) e Projeto Sem Diferenças (Leirosa, Figueira da Foz).

“Para além dos pedidos de ajuda aumentarem, prevemos que as pessoas se mantenham mais tempo no apoio”, assume.

A instituição entrega alimentos mas adotou também a modalidade de doação de vales de compras, de forma a que cada um possa comprar o que efetivamente consome e precisa. “Achamos que é um apoio muito mais digno, não só porque compram o que gastam mas porque as pessoas sentem-se mais valorizadas por poderem fazer as suas próprias compras”, explica, destacando que os vales não têm qualquer referência à instituição e o seu valor é atribuído mediante as condições e número de elementos de cada agregado familiar.

Ana Paula Cordeiro diz que a grande preocupação da Cáritas é “chegar realmente a quem mais precisa” e lamenta que nem sempre seja possível assegurar a todos aquilo que lhes é essencial.

Só no ano passado a instituição gastou 50.800 euros em apoios, sendo que metade do valor foi para alimentação. Em 2020 tinha gasto 43.600 e em 2019 gastou 26.900. A alimentação representou sempre a maior fatia deste orçamento.

A instituição conta, também, com o apoio da comunidade e lembra que toda a ajuda é bem vinda. Nesta fase tem já a decorrer a campanha de Natal Solidário e todos podem contribuir e ajudar a rechear os cabazes que a Cáritas entrega todos os anos nesta quadra natalícia. Nos últimos anos tem apoiado cerca de 200 famílias. Quem puder colaborar só tem que contactar a instituição ou dirigir-se a um dos seus serviços.

Veja o vídeo do direto NDC:

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