Os guardas prisionais da cadeia de Vale de Judeus, de onde fugiram cinco reclusos em 2024, vão fazer greve entre 10 de março e 30 de abril, anunciou hoje o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP).
A greve será total e, por isso, funcionarão apenas os serviços mínimos, detalhou à Lusa o presidente do SNCGP, acrescentando que o motivo do protesto é a falta de segurança nesta cadeia.
Segundo Frederico Morais, entre 10 de março e 30 de abril, os presos da cadeia de Vale de Judeus que não têm atividades – não estudam, nem trabalham – terão o horário de pátio reduzido e vão ficar nas respetivas celas 22 horas por dia.
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Aliás, a redução dos horários de pátio é uma das reivindicações desta greve, à semelhança daquilo que aconteceu na cadeia do Linhó, onde os reclusos sem atividades viram os seus horários reduzidos.
O número de visitas também será reduzido para todos os presos, que “passam a ter só uma visita por semana”, acrescentou o presidente do sindicato que emitiu o aviso prévio de greve, referindo ainda que a greve terá impacto nas idas a consultas e a tribunal.
O principal motivo desta greve é a segurança, que o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional considera que não foi suficientemente reforçada desde a fuga de cinco presos, em setembro de 2024.
“Continuamos sem redes nos pátios, continuamos com a iluminação que não funciona muitas vezes, o gerador está sempre a ir abaixo, os inibidores [de sinal] ainda não estão a funcionar”, enumerou Frederico Morais para justificar o que levou os guardas prisionais a marcar uma nova greve cujo aviso prévio foi entregue na segunda-feira.
Em relação às atividades dos presos, este sindicato considera que existe um “excesso de atividades desnecessárias” e que incluem, por exemplo, “ioga, desporto sem qualquer controlo, formações profissionais que não têm controlo nenhum”.
Para reforçar a segurança da prisão de Vale de Judeus, o ministério da Justiça anunciou a instalação de inibidores de sinal, que bloqueiam os sinais de telemóveis e de drones, mas o sistema ainda não está em funcionamento.
A construção de duas torres de vigilância foi outro dos reforços, tendo a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais lançado dois concursos que não atraíram quacandidatos e, segundo as últimas informações prestadas à Lusa, será lançado um terceiro concurso.