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Gronelândia optaria pela Dinamarca em vez dos EUA se tivesse de escolher

Notícias de Coimbra com Lusa | 57 minutos atrás em 13-01-2026

 O primeiro-ministro da Gronelândia assegurou hoje que o governo da região autónoma dinamarquesa optaria pela Dinamarca em vez dos Estados Unidos se tivesse de escolher, devido às pretensões de controlo do Presidente Donald Trump.

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“Estamos perante uma crise geopolítica e, se tivermos de escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca neste preciso momento, escolhemos a Dinamarca”, afirmou Jens-Frederik Nielsen em Copenhaga.

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Nielsen falava durante uma conferência de imprensa em Copenhaga no âmbito de uma deslocação oficial à capital da Dinamarca, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

“A Gronelândia não quer que ninguém a possua nem que ninguém a controle”, disse Nielsen, também citado pela agência espanhola EFE, na véspera de uma reunião em Washington sobre a ilha do Ártico.

A seu lado, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, considerou que não tem sido fácil resistir ao que qualificou de “pressão totalmente inaceitável” por parte do “aliado mais próximo”, referindo-se aos Estados Unidos.

Nielsen disse que a Gronelândia é um Estado de direito e “não está à venda”, uma das hipóteses sugeridas por Trump para os Estados Unidos assumirem o controlo da ilha, sendo a outra a tomada pela força.

O chefe do governo de Nuuk, a capital da Gronelândia, qualificou a situação atual como “muito, muito grave”, devido à pressão exercida por Trump, que alega a segurança dos Estados Unidos para reclamar o controlo da ilha.

“O limite é que não se pode comprar a Gronelândia. Estamos unidos no reino com a Dinamarca e seremos sempre parte da aliança ocidental”, afirmou Nielsen.

“O futuro da Gronelândia será decidido pelos gronelandeses, tal como consta no Estatuto de Autonomia. É com esta mensagem que viajamos amanhã [quarta-feira] para os Estados Unidos”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, confirmou horas antes que se reunirá na quarta-feira, em Washington, com o homólogo norte-americano, Marco Rubio, para discutir o futuro do território autónomo.

O encontro contará também com a participação da conselheira de Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt.

A reunião terá lugar na Casa Branca e terá como anfitrião o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, explicou Rasmussen.

“A Gronelândia está no olho do furacão. Mas esta é também uma questão sobre a ordem mundial que conhecemos. Se esta cair, a Gronelândia e o resto do mundo enfrentarão desafios difíceis de combater”, alertou Nielsen.

A Gronelândia, que integra o Reino da Dinamarca, pretende emancipar-se da tutela de Copenhaga, mas os dirigentes da ilha ártica avançam com cautela sob o olhar interessado de Donald Trump.

A rota para a independência da Gronelândia está claramente definida pela Lei da Autonomia de 2009.

O artigo 21.º estipula que, se o povo gronelandês decidir avançar, Nuuk e Copenhaga devem negociar um acordo que defina as modalidades da separação.

No centro das discussões estará a contribuição financeira anual de Copenhaga, de aproximadamente 4,5 mil milhões de coroas (cerca de 602 milhões de euros, ao câmbio atual), o que representa mais de um quinto do PIB (Produto Interno Bruto) da ilha.

Qualquer acordo terá de ser aprovado pelos parlamentos de ambos os países e, em última instância, ratificado por referendo na Gronelândia.

Pela parte da Dinamarca, não existe a intenção de manter a ilha, que é autónoma desde 1979, após décadas como colónia e, posteriormente, como departamento do reino.

Mette Frederiksen sublinhou que o desejo de independência é “legítimo e compreensível”, embora a prioridade atual do Governo que chefia seja fortalecer a comunidade do reino, que inclui também as ilhas Faroé.

“O tempo não é para discussões internas. O tempo é de unidade e de continuar a construção da comunidade que conhecemos”, afirmou Nielsen, em sintonia com Copenhaga.

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