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Política

Gregório Duvivier pede a Portugal que não normalize a extrema-direita 

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O humorista brasileiro Gregrório Duvivier afirmou hoje que a democracia e a imprensa em Portugal não devem “normalizar a extrema-direita”, sob risco de um maior crescimento dos populismos de direita numa sociedade polarizada, à semelhança do Brasil.

No Brasil, “tanto a direita democrática, quanto a grande imprensa, normalizaram [o atual Presidente] Bolsonaro [extrema-direita] e o trataram como uma opção normal dentro do espetro democrático”, afirmou Gregório Duvivier, em entrevista à agência Lusa.

O ator, conhecido globalmente pelo coletivo Porta dos Fundos e pelo seu programa de humor GregNews, traz o seu monólogo “Sísifo” (que evoca o mito grego) a Portugal mais uma vez para uma série de espetáculos entre 07 e 10 de dezembro, com passagens por Lisboa, Porto, Coimbra e Águeda.

Comentando o crescimento eleitoral da extrema-direita populista também em Portugal, Duvivier não tem dúvidas: “Essa gente que nega as vantagens da democracia não deveriam nem poder participar do pleito democrático”.

Primeiro, eles têm de ser “responsabilizados judicialmente pelos absurdos que dizem”, disse, dando o exemplo das declarações do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, no processo de ‘impeachment’ de Dilma Rousseff quando elogiou o torturador da antiga chefe de Estado. “Bolsonaro tinha de ter saído preso do Congresso quando ele fez apologia ao [coronel] Ustra”, porque “não pode fazer apologia da tortura dentro do Congresso”.

“O Brasil perdeu diversas vezes a oportunidade de responsabilizar, de o responsabilizar, de prendê-lo, de o cassar”, recordou Gregório Duvivier, que acusou também a imprensa de ter permitido crescer o fenómeno da extrema-direita.

“A imprensa não pode tratá-lo como algo normal”, com “debates em que tem um democrata e um fascista debatendo como se fosse necessário sempre contemplar, em qualquer debate, o ponto de vista dos fascistas de extrema-direita”, considerou, invocando o argumento do filósofo Karl Popper para exigir que a democracia seja intolerante com os intolerantes.

“A imprensa às vezes cai nessa, tem que ouvir o outro lado. Não tem que ouvir outro lado quando o outro lado é fascista”, afirmou, acrescentando: “Não é para ouvir, não é para normalizar, não é para respeitar e falar ‘ah, sim, cada um tem uma opinião’”.

“Esse tipo de contemporização imbecil foi também o que criou o Bolsonaro”, com a sua entrada nos debates políticos e a “normalização do extremismo, do fascismo, do negacionismo, do fundamentalismo”.

Dizendo-se defensor do “liberalismo de ideias”, Duvivier traçou a fronteira no respeito das instituições e do jogo democrático. “Não tem desculpa, não há democracia, não pode ter espaço para um discurso fundamentalista, racista, eugenista”.

O humorista considerou que “Portugal fez melhor do que o Brasil” porque “tem os valores de Abril” e isso deve ser condição para a participação democrática.

“É em torno disso que a democracia de vocês foi fundada. Então se você não gosta disso, ou você vai embora do país, ou se vai tentar mudar essa Constituição, propor uma nova, mas assim, para se candidatar, precisa respeitar esses valores e é isso que une um país”, afirmou Duvivier, conhecido ativista e crítico de Jair Bolsonaro, mas também do peso do conservadorismo.

“No Brasil, não é tão claro, quais são os nossos valores. A Constituição [brasileira] de 88 não foi tão talvez unânime quanto a Revolução dos Cravos de 74”, em Portugal, apontou.

Porque é que Jair Bolsonaro passou de “de folclórico a maioritário?” – questionou Duvivier, respondendo de seguida: porque a extrema-direita “teve uma adesão da direita democrática, que tinha medo do PT [Partido dos Trabalhadores]”.

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