A ministra da Saúde disse hoje o Governo não vai conseguir atribuir médico de família a todos os utentes até 2027, justificando com o facto de estarem a inscrever-se “todos os dias” novas pessoas nos centros de saúde.
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“Para nós, Governo, atribuir um médico de família a todos os utentes é, de facto, uma ambição. Não o conseguimos até agora, não o vamos conseguir em 2027, porque todos os dias temos pessoas a inscreverem-se, todos os dias temos pessoas novas que chegam até nós, que vêm trabalhar connosco em Portugal”, afirmou Ana Paula Martins, na inauguração da requalificação do centro de saúde de Fátima.
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Para Ana Paula Martins, “este desafio é muito complexo e é novo, pelo menos é novo no sentido dos últimos cinco anos”, sendo algo que o Governo tem também de acomodar no Serviço Nacional de Saúde”.
Na cerimónia de inauguração, Ana Paula Martins realçou a colaboração entre os poderes local e central, “essencial para fortalecer o sistema de saúde”, reconhecendo, contudo, que, em matéria de delegação de competências da área da saúde para as autarquias, “há ainda um aperfeiçoamento, uma recalibração que a tutela tem de fazer” para que essa transferência seja “virtuosa e não seja apenas uma transferência de responsabilidades sem as devidas contrapartidas”.
“E não falo só das contrapartidas de natureza financeira, naturalmente que essas são relevantes, mas falo também daquilo que são as contrapartidas sob o ponto de vista da decisão, sob o ponto de vista de fazerem parte do desenho e da organização que nós queremos dar aos cuidados de saúde”, adiantou.
Questionada pelos jornalistas se em 2028, 2029 ou 2030 pode assegurar o cumprimento desta promessa, Ana Paula Martins garantiu que a ambição de atribuir médico de família a todos os utentes “nunca vai cair”.
“Todos os anos estamos a conseguir ter mais utentes com médico de família, (…) mas também todos os anos e todos os meses temos novos utentes a inscreverem-se no Registo Nacional de Utentes”, declarou.
Referindo que esta é uma obra que tem de continuar, “não só por via da constituição de unidades de saúde familiar [USF] modelo B”, que são mais atrativas para os profissionais e “porque são aquelas que têm demonstrado ter melhores resultados para as pessoas”.
A governante adiantou que “há outras possibilidades”, como, por exemplo, o projeto Bata Branca, que garante consultas a utentes sem aqueles profissionais, numa colaboração entre unidades locais de saúde, misericórdias e autarquias.
A requalificação do centro de saúde de Fátima custou 1,8 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
O presidente da Junta de Fátima, Carlos Neves, destacou a importância da obra para profissionais e utentes, mas alertou que a freguesia tem ainda “cerca de 1.200 utentes sem médico de família”.
O presidente da Câmara de Ourém, concelho que integra a Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, considerou que o município tem sido sempre “muito castigado” pelas questões da saúde.
Destacando o trabalho da autarquia na requalificação das unidades de saúde, Luís Albuquerque explicou que o concelho continua “com cerca de 16 mil utentes sem médico de família”, mas “estão devidamente assistidos”, com recurso ao projeto Bata Branca e à teleconsulta.
O presidente do município defendeu ainda criação de um centro de atendimento clínico, para evitar deslocações ao Hospital de Santo André, em Leiria, e de uma USF, ambos no centro de saúde na sede do concelho.
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