O candidato presidencial Gouveia e Melo prometeu hoje contribuir para a estabilidade política, mas também exigir rigor e exercer pressão junto dos governos para que resolvam problemas como os da saúde, recusando passar-lhes cheques em branco.
Após ter visitado o centro de simulação da Faculdade de Medicina do Porto, que pertence ao Hospital de São João, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada também rejeitou entrar no tipo de discurso de pedir a demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, contrapondo que os primeiros-ministros são os responsáveis pelos governos que formam.
Henrique Gouveia e Melo fez estas declarações aos jornalistas no fim de uma ação integrada na sua campanha, em que esteve acompanhado pelo ex-presidente do PSD Rui Rio e pelo antigo ministro socialista da Saúde Manuel Pizarro.
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Tal como aconteceu esta manhã, no Porto de Leixões, também à saída do Hospital de São João foi confrontando com o caso de um homem, no Seixal, que acabou por morrer à espera do socorro do INEM. E foi questionado se defende a demissão da ministra da Saúde.
“O último responsável por todas as situações são os primeiros-ministros, que escolhem os seus ministros. E é muito fácil apontar responsabilidade individual”, respondeu.
A seguir, foi confrontado com declarações suas em que terá sugerido a demissão de governos em determinadas circunstâncias, mas Gouveia e Melo atribuiu essa interpretação, que disse ser errada, a alguns adversários seus presentes na corrida a Belém.
“Falei num caso hipotético, num caso gravíssimo e, portanto, não me venham pôr problemas da gestão diária como um problema de demissão do Governo. Aliás, nunca falei de demissão do Governo, mas na convocação de eleições para a Assembleia da República”, alegou.
Depois, acusou alguns dos seus adversários de usarem “um mantra” para “escaparem aos seus próprios problemas e às suas dúvidas neste momento”.
“Querem lançar para cima da mesa um novo tema para discussão. Se há alguém que vai privilegiar a estabilidade governativa, sou eu”, afirmou. Porém, acrescentou logo a seguir que o país “tem de mudar”.
“A Presidência da República deve ser um ponto de pressão constante para a boa governação – e é isso que estou aqui também a fazer enquanto candidato presidencial. Tem de haver exigência e rigor, porque senão, a certa altura, é um cheque em branco para tudo e mais alguma coisa”, advertiu.
Se for eleito chefe de Estado, o almirante promete exercer “magistratura de influência, numa pressão constante ao longo do tempo, com consistência, com persistência e com verdadeira vontade de mudança”.
“Os portugueses podem confiar em mim para ser um Presidente que exige rigor, transparência e responsabilização”, reforçou.
Perante os jornalistas, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada defendeu a tese de que, no setor da saúde, Portugal não tem qualquer problema “de excelência de recursos humanos”.
“São excelentes na área da medicina, são muito bem preparados e, aliás, são muitas vezes requisitados para ir para o estrangeiro. No Serviço Nacional de Saúde (SNS), temos um problema essencialmente de gestão e de organização”, defendeu.
Gouveia e Melo, que coordenou o plano de vacinação contra a covid-19, considerou que o país, “de uma vez por todas, precisa de resolver os problemas para evitar que se crie a sensação de que o SNS não consegue dar resposta à população”.
Uma perceção que, na sua perspetiva, “fragiliza a confiança que a população tem no SNS”, em relação à qual “não há qualquer razão para isso”.
“O que temos de fazer, o que o Governo tem de fazer, é resolver os problemas de organização e de gestão que estão a afetar o sistema. É importante também perceber que a região norte, no caso específico da saúde, tem muitos menos problemas do que outras regiões. Tem uma cultura de organização diferente”, assinalou.
Por essa razão, segundo Gouveia e Melo, devem ser feitos “estudos comparativos para melhorar a organização, até partindo de exemplos positivos que temos no país e com referência também ao exterior”.
Questionado se há um problema de corporativismo no setor da saúde, o almirante secundarizou o peso desse fator. Estendeu mesmo a questão do corporativismo “a todas as classes profissionais”.
“Não é isso que dificulta que se encontrem soluções. E não há soluções sem os atores do sistema, não há soluções impostas de cima para baixo. As soluções têm de ser negociadas e têm de ser trabalhadas. O corporativismo é um fenómeno natural em classes altamente profissionalizadas”, acrescentou.
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