A depressão Goretti, nomeada pela Météo-France, poderá tornar-se uma das tempestades mais impactantes do século XXI na Europa Ocidental, com efeitos potencialmente severos em França e no Sul do Reino Unido, segundo os mais recentes modelos meteorológicos.
O núcleo da depressão deverá atravessar o Canal da Mancha, entre França e Inglaterra, embora exista ainda alguma incerteza quanto à trajetória exata — podendo passar ligeiramente mais a norte ou mais a sul. Essa indefinição impede, para já, previsões totalmente fiáveis, levando os serviços meteorológicos e de proteção civil a aguardarem maior consenso antes de emitirem avisos mais graves.
Atualmente estão em vigor avisos amarelos, mas os meteorologistas consideram praticamente certo que avisos laranja serão emitidos nas próximas horas. Um aviso vermelho é também provável em algumas regiões, sobretudo devido a rajadas de vento extremamente fortes, ondulação severa e queda significativa de neve.
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Os modelos de alta resolução, como o AROME, UKV e ARPEGE, indicam potencial para rajadas superiores a 180 km/h, associadas a um fenómeno conhecido como sting jet, resultado de um cavamento rápido da depressão (ciclogénese explosiva), explica a Luso Meteo.
O cenário mais provável aponta para os impactos mais severos no noroeste e norte de França e no sudoeste de Inglaterra, zonas densamente povoadas, onde os ventos poderão ultrapassar os 160 km/h em terra. O pico da tempestade deverá ocorrer ao final da tarde de quinta-feira, dia 8 de janeiro.
Com uma pressão atmosférica que poderá descer abaixo dos 970 hPa, a Goretti deverá gerar ondas significativas superiores a 9 metros, com ondas máximas entre 14 e 16 metros. Há risco de inundações costeiras devido à conjugação de ondulação extrema com maré de tempestade.
Para além do vento, espera-se chuva por vezes forte, especialmente em Inglaterra, mas também em França, sobretudo sob a forma de aguaceiros intensos, localmente acompanhados de trovoadas. Existe ainda a possibilidade, embora reduzida, de tornados isolados.
Um dos aspetos mais marcantes desta tempestade será a neve intensa em Inglaterra e no País de Gales. Os modelos apontam para um dos maiores nevões dos últimos 20 anos, com neve possível até cotas próximas do nível do mar em várias regiões da Inglaterra Central e do País de Gales.
No sul de Inglaterra, a neve deverá limitar-se a altitudes mais elevadas, com contrastes térmicos muito acentuados em distâncias curtas. A conjugação de vento forte e neve poderá originar condições de blizzard, aumentando significativamente os riscos para a população.
São esperadas perturbações severas no dia-a-dia, incluindo encerramento de estradas, interrupções nos transportes públicos e suspensão de serviços, apesar de se tratar de países habituados a condições invernais.
Portugal Continental ficará bem afastado do núcleo da depressão. Apenas uma frente associada deverá provocar chuva entre quinta e sexta-feira, sobretudo no Norte, sem impactos relevantes.
O vento será moderado a forte, com rajadas até 75 km/h nas terras altas do Norte, valores considerados normais para a época. O mar ficará mais agitado, com ondas entre 3 e 5 metros a norte do Cabo Carvoeiro, situação que poderá motivar avisos do IPMA.
No Sul do país, os efeitos serão praticamente inexistentes, com pouco vento e pouca chuva. As temperaturas deverão subir ligeiramente devido ao fluxo de sudoeste, mantendo a neve restrita às montanhas mais altas.
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