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Portugal

GNR investiga fogo em centro para animais em construção

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A GNR está a investigar um incêndio que hoje causou prejuízos superiores a 50 mil euros num centro de acolhimento e bem-estar animal, em construção, na freguesia de Cardielos em Viana do Castelo.

Fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo disse à Lusa ter sido acionada a Polícia Judiciária que delegou no Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da Guarda Nacional Republicana a investigação e peritagem às causas do incêndio.

O comandante dos Bombeiros Sapadores de Viana do Castelo, António Cruz, adiantou que o alerta foi dado às 08:00, para um incêndio florestal, mas já no local os operacionais foram confrontados com o fogo na obra do centro de acolhimento e bem-estar animal que destruiu “grande parte do sistema de tubagem para instalação de cabos elétricos e saneamento”.

O presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, disse à Lusa que “as informações que recolheu junto do comandante dos Bombeiros Sapadores e, do empreiteiro responsável pela obra apontam para a inexistência de qualquer fonte de calor externa que pudesse originar o fogo”.

“Vamos aguardar pela conclusão da investigação. Se apontar para fogo posto vamos apresentar queixa ao Ministério Público para que sejam encontrados os autores materiais deste incêndio”, garantiu Luís Nobre, adiantando que “uma primeira avaliação aos danos causados pelo incêndio aponta para prejuízos superiores a 50 mil euros”.

A construção do centro de acolhimento e bem-estar animal foi iniciada em dezembro, num investimento de 370 mil euros, num terreno com aproximadamente 4.070 metros quadrados de área total na rua da Portela, na freguesia de Cardielos, sendo confinante com a Autoestrada 27 (autoestrada do Vale do Lima).

A construção do novo equipamento, cujo prazo de conclusão foi prorrogado por “falta de mão de obra e materiais de construção” é contestada localmente.

O autarca socialista frisou que “o nível de execução da obra, sem infraestruturas elétricas em carga, aponta para um forte indício de que a fonte de calor que originou o incêndio tenha sido externa, premeditada”.

“As pessoas escolheram a pior forma de manifestar a sua posição. Lamento a forma de fazer vencer a sua oposição ao equipamento, destruindo património que é de todos”, disse.

Segundo Luís Nobre, o incêndio “vem atrasar a concretização de um anseio com muitos anos” de dotar a capital do Alto Minho de “um equipamento para acolher, tratar e promover a adoção de animais errantes”.

Em janeiro, durante uma reunião camarária, Luís Nobre informou o executivo municipal da existência de um abaixo-assinado que, localmente, contesta a construção do equipamento em Cardielos, mas garantiu que “o projeto cumpre a lei”.

“Este foi um projeto muito maturado. O terreno está situado na transição de espaço florestal e área urbana industrial, próximo de atividades económicas mais ruidosas que os animais que o centro acolherá”, especificou.

O autarca disse não perceber a “dificuldade de aceitação do local, quando a escolha do terreno foi feita, com acompanhamento da Junta de Freguesia, com todo o cuidado para garantir o distanciamento aos aglomerados populacionais e para que fosse o menos conflituoso possível”.

“O município não podia andar eternamente à procura de um terreno para construir o equipamento, e lembro que este é o segundo terreno que a autarquia compra para construir o centro de acolhimento. Não vamos comprar um terceiro terreno. Esta é uma necessidade urgente, objetiva e efetiva. A maior resistência surge do proprietário de uma serralharia, situada nas proximidades. Será um centro de acolhimento animal mais ruidoso que uma serralharia?”, questionou, na altura, o autarca.

Luís Nobre garantiu que o equipamento “não será um canil à moda antiga”, mas um “centro de acolhimento com todas as condições para tratar bem os animais”.

 

ABC // JMR

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