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Geofísica pode ajudar Conimbriga a mostrar área arqueológica por escavar

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A prospeção geofísica poderá disponibilizar aos investigadores e visitantes de Conimbriga, em Condeixa-a-Nova, uma área de 18 hectares que nunca foi escavada, disse à agência Lusa o diretor do sítio arqueológico e do Museu Monográfico.

Vítor Dias, que falava a propósito do 60.º aniversário do Museu de Conimbriga, que será celebrado no dia 10, defendeu que a geofísica “pode dar um bom contributo” para as pessoas conhecerem “uma grande parte da cidade romana que não está estudada”, nem aberta a visitas.

“Chegou o momento de questionarmos como a podemos explorar, não só na dimensão patrimonial e arqueológica, mas também paisagística e ambiental”, declarou Vítor Dias, realçando o facto de aquela metodologia “não ser uma atividade intrusiva”.

Junto à povoação de Condeixa-a-Velha, o conjunto patrimonial acolhe o Museu Monográfico, desde 1962, e abrange diversos terrenos, alguns outrora cultivados, com uma área total superior a 20 hectares, dos quais apenas quatro estão escavados.

Da reserva de 18 hectares que falta investigar, oito situam-se num planalto rodeado pela Muralha Augustana, que termina em vértice, que terá sido habitado por povos autóctones antes da conquista pelos romanos, provavelmente em 136 antes de Cristo.

“É uma área imensa que pode ser musealizada de forma harmoniosa e criativa, com o contributo da arquitetura paisagística e, quiçá, com a possibilidade de termos um miradouro no bico da muralha”, preconizou o responsável.

No Dia Internacional dos Museus, 18 de maio, durante uma visita do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, ao campo arqueológico, Vítor Dias, sem avançar detalhes, já se tinha questionado sobre o que fazer à reserva arqueológica.

Em entrevista à agência Lusa, defendeu agora que a resposta venha a incluir a construção de um mirante com vista para o rio de Mouros, que ladeia o promontório, e de onde se avistarão ao longe a A1 e a EN1, que atravessam o concelho de Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra.

A obra “poderia permitir às pessoas sentirem o sítio na sua plenitude, perceberem a dimensão territorial e a relação identitária de Conímbriga com a região Centro”, numa perspetiva que compreende o Baixo Mondego, o maciço cársico de Sicó e mesmo as serras de xisto da Lousã e do Açor.

Numa “perspetiva interdisciplinar”, o miradouro “iria permitir esta interpretação geográfica e geomorfológica”, afirmou o arqueólogo, admitindo que a iniciativa integre uma candidatura aos fundos europeus do Portugal 2030.

Entretanto, os cinco milhões de euros previstos para Conimbriga no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “vão permitir duas abordagens”, na manutenção da área arqueológica visitável e no edificado.

A dotação do PRR contempla intervenções na cobertura da Casa dos Repuxos e na palestra das Termas do Sul, além da substituição da provisória Oficina dos Mosaicos por uma definitiva e da criação de uma sala de exposições temporárias.

Por outro lado, o reforço das opções digitais ajudará a minimizar a degradação do legado arqueológico pelos agentes erosivos.

“Temos de fazer primeiro um bom registo digital de alguns mosaicos e estruturas. Nalguns casos, poderá haver uma leitura mais integral e adequada se forem mostrados digitalmente”, referiu Vítor Dias.

Salientando que “a população deve beneficiar do investimento que o Estado fez aqui”, o diretor propõe que o sítio funcione como “um cluster experimental de ciência”, que tire partido da “relação umbilical” que mantém com a Universidade de Coimbra há mais de 100 anos.

Para o presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita, “Conimbriga é uma marca da identidade” local que a autarquia tem procurado valorizar “em parceria com o museu”.

A cidade romana “muito tem contribuído para o desenvolvimento, valorização e reconhecimento do concelho”, disse.

Também a Liga de Amigos de Conimbriga (LAC), fundada em 1992, se congratulou com os 60 anos de atividade do museu.

Numa nota enviada à agência Lusa, o presidente da LAC, António Queirós, enfatizou a importância de “servir o museu e os seus públicos nacionais e internacionais” há cerca de 30 anos.

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