Jorge Ferreira, mais conhecido como Gastropiço, é um influenciador gastronómico natural de Montemor-o-Velho que viajou até Miranda do Corvo para descobrir uma das iguarias mais emblemáticas da região: a chanfana. A visita levou-o até ao restaurante “Zé Padeiro”, onde procurou conhecer de perto a receita tradicional deste prato típico.
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O nome Gastropiço não surgiu por acaso. Trata-se de uma designação usada de forma descontraída para alguém que acredita perceber de gastronomia. Jorge começou por se apresentar nas redes sociais como “enopiço”, expressão usada para quem acha que percebe de vinhos, e rapidamente conquistou seguidores na Internet com os seus conteúdos dedicados à comida e aos sabores tradicionais.
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Em Miranda do Corvo, o Gastropiço diz que “é preciso olhar para além do que vai na caçoila de barro onde o prato é confecionado. A preparação desta especialidade está profundamente ligada ao barro e ao trabalho artesanal das olarias da região”.
Foi precisamente no Carapinhal, numa das últimas olarias tradicionais da zona, que Gastropiço procurou conhecer melhor essa parte da tradição. Numa aldeia que chegou a contar com mais de 40 oleiros, restam hoje apenas duas olarias em atividade, onde continuam a ser produzidas as tradicionais caçoilas usadas para cozinhar chanfana em forno a lenha.
O prato, considerado por muitos um verdadeiro símbolo da gastronomia local, está também envolto em várias histórias sobre a sua origem. Entre as versões mais conhecidas está a que liga a chanfana às invasões francesas, episódio histórico frequentemente apontado como uma das possíveis explicações para o surgimento da receita.
Entre a cozinha, o barro e as histórias que atravessam gerações, a viagem de Gastropiço revela não apenas a preparação de um prato típico, mas também o património e as tradições que continuam a manter viva uma das mais conhecidas especialidades da gastronomia portuguesa.
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