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Funerária reutilizou e revendeu caixões durante 20 anos

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 05-03-2026

Um caso chocante que envolvia uma funerária espanhola levou esta semana 23 pessoas ao banco dos réus em Valladolid, incluindo os proprietários e funcionários do Grupo Funerário El Salvador, acusados de um esquema que terá durado cerca de duas décadas.

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Segundo o Correio da Manhã, a empresa retirava os caixões antes da cremação e simulava a incineração ligando apenas os ventiladores dos fornos, de forma a enganar as famílias enlutadas de que o procedimento tinha sido realizado. Os caixões retirados eram depois limpos e revendidos a outras famílias, gerando lucros ilícitos significativos ao longo dos anos.

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O caso tornou‑se público em 2019, depois de uma investigação policial conhecida como “Operação Ignis”, impulsionada pelas denúncias de um antigo funcionário que trabalhou no crematório entre 1995 e 2015. Este ex‑trabalhador registou em 26 cadernos os alegados crimes, com datas de cremações, nomes dos falecidos e indicações sobre quais os caixões que eram retirados antes do processo real.

O Ministério Público espanhol estima que cerca de 5 973 caixões tenham sido reutilizados indevidamente, num valor próximo de 3,7 milhões de euros, e que mais de 3 100 arranjos florais também tenham sido reaproveitados para venda. No total, o suposto lucros ilícitos rondam os 4 milhões de euros.

Os arguidos enfrentam acusações que incluem organização criminosa, apropriação indevida continuada, burla continuada, desrespeito pelos mortos, branqueamento de capitais e falsificação de documentos comerciais. As penas pedidas pelo Ministério Público podem chegar aos 20 anos de prisão para os membros da família proprietária, enquanto os restantes réus podem ser condenados entre dois e nove anos.

O denunciante do caso foi encontrado morto em agosto de 2024, antes do início do julgamento.

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