Exposições

Funcionário do Café Santa Cruz e pintor nos tempos livres. Conheça a história do “senhor Costa”

António Alves | 4 meses atrás em 05-12-2023

António Costa é funcionário do Café Santa Cruz há 35 anos. Conhecido pela forma simpática com que atende os clientes deste café histórico, o “senhor Costa”, como é conhecido, revela este mês uma nova faceta da sua vida pessoal: a pintura. Um “sonho de menino” que pode conhecer até final do mês através de uma exposição no interior daquele espaço histórico.

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Na capela mor da antiga Igreja de S. João de Santa Cruz, ao fundo do café com o mesmo nome, estão expostas telas a aguarela e óleo que retratam várias épocas da Praça 8 de Maio e do Café Santa Cruz, nomeadamente o período anterior às obras realizadas em 1995. Há ainda um conjunto de telas com vista da cidade de Coimbra a partir do Choupalinho, bem como dois quadros que representam uma experiência ao nível dos autoretratos.

Tratam-se de pinturas provenientes de diversas colecções privadas, cujos proprietários gentilmente as cederam ao Café Santa Cruz para, desta forma, dar a conhecer o trabalho deste funcionário e prestar-lhe uma justa homenagem no ano do centenário do café.

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Em entrevista ao Notícias de Coimbra, António Costa recordou que os primeiros traços num papel foram efetuados nos seus tempos de criança, mas a falta de acompanhamento por parte de um especialista levou-o a optar pela observação das técnicas de alguns dos pintores com quem se foi cruzando.

Já com 13 anos, foi trabalhar para Lisboa. Nesta cidade, foi tentando melhorar a sua técnica, o que só aconteceu quando entrou na tropa. Nessa altura, um colega ligado às artes “deu-me uns tópicos”, os quais foram fundamentais para a realização de trabalhos em conjunto.

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No regresso a Coimbra, continuou “a explorar e a conversar com alguns artistas”, o que lhe permitiu melhorar o traço dos seus desenhos. Até que, o trabalho e o apoio à família se tornaram o foco da sua vida. A procura de uma estabilidade económica para a família não permitiu desenvolver a sua vocação, ao ponto de um dia ter decidido deixar de pintar. “Deitei tudo fora, parti os pincéis e coloquei no lixo o cavalete que usava para pintar”, afirmou.

Carregue na galeria e conheça os quadros expostos no Café Santa Cruz

A sua 1.ª exposição colectiva foi com o Movimento Artístico de Coimbra (MAC), no antigo refeitório do Mosteiro de Santa Cruz – hoje, Sala da Cidade de Coimbra – no ano de 1988.

Quanto a exposições individuais, são de assinalar aquelas que foram realizadas no Café Santa Cruz e no Café “A Brasileira” ao longo dos últimos anos.

Cunha Rocha, Pedro Olayo, Pedro Olayo Filho e os Irmãos Berardos foram alguns dos artistas que marcam esta experiência pessoal. Questionado sobre o estilo que mais gosta de pintar, António Costa foi claro na resposta: “eu pinto aquilo que mais gosto”.

E especificou: “eu desenho aquilo que me dá mais gozo pintar e que eu sinto como sendo o melhor, mas posso dizer que sou um naturalista”.

Veja o Direto Notícias de Coimbra com António Costa

“Pretendemos, através desta exposição, não só homenagear a obra e o trabalho de António Costa, mas também recordar e prestar tributo a todos os colaboradores que passaram pelo Café Santa Cruz ao longo destes 100 anos. A sua dedicação, empenho, e profissionalismo contribuíram decisivamente não só que o Café Santa Cruz atingisse esta longevidade comercial, mas também para que as suas histórias fossem perpetuadas para as gerações futuras”, referem os responsáveis do Café Santa Cruz em nota de imprensa.

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