Mundo

França realiza domingo 1.ª volta de eleições autárquicas (ensaio para presidenciais de 2027)

Notícias de Coimbra com Lusa | 9 minutos atrás em 13-03-2026

França realiza no próximo domingo a primeira volta de eleições autárquicas apresentadas como um ensaio para as presidenciais de 2027, num clima polarizado em que o debate se centrou em habitação, segurança e poder de compra.

PUBLICIDADE

As eleições para a escolha de presidentes de câmara e vereadores em mais de 35.000 municípios são também marcadas pela ascensão da extrema-direita e pela divisão da esquerda.

PUBLICIDADE

Um total de 904.042 candidatos, distribuídos por 50.478 listas, concorre às eleições municipais francesas, bem como às da Polinésia Francesa e à renovação dos conselhos distritais de Paris, Lyon e Marselha, segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior.

De acordo com as sondagens, mais de 30% do eleitorado continua indeciso, o que aumenta a incerteza quanto ao resultado, mas também quanto à participação eleitoral, sobretudo entre os jovens.

A campanha eleitoral decorreu com um panorama político volátil e fragmentado, em que a extrema-direita da União Nacional (RN, na sigla em francês), de Marine Le Pen e Jordan Bardella, lutou para consolidar a sua presença em municípios de pequena e média dimensão, como a cidade de Perpignan, que conquistou em 2020, e para conquistar outros.

A esquerda, por seu lado, está dividida: enquanto os socialistas e os Verdes tentaram apresentar candidaturas únicas, o partido França Insubmissa (LFI, na sigla em francês), de Jean-Luc Mélenchon, e outros grupos optaram por concorrer separadamente.

No LFI, somou-se ainda o mal-estar causado pela decisão do Conselho de Estado francês – a mais alta instância judicial administrativa do país – de classificar oficialmente o partido como de extrema-esquerda.

Esse revés seguiu-se às críticas de que foi alvo em fevereiro, após o espancamento até à morte, em Lyon, de um jovem militante de extrema-direita por membros de um pequeno grupo ligado ao LFI e ilegalizado no verão passado.

Entretanto, o partido Renascimento, do Presidente francês, Emmanuel Macron, aspira a manter a sua influência nas principais cidades, mas enfrenta um crescente descontentamento dos eleitores com o custo de vida, a crise da habitação e a insegurança.

Outras questões transversais no debate político foram a transição ecológica e a gestão dos serviços públicos locais.

Paris, Lyon, Marselha e Bordéus foram os principais campos de batalha da campanha. Na capital, a saída da socialista Anne Hidalgo deixou a situação em aberto, sem um claro favorito para a substituir.

Noutras cidades, a direita tradicional está a tentar recuperar o terreno perdido para a extrema-direita, enquanto os Verdes procuram consolidar os seus bastiões em Lyon, Bordéus, Estrasburgo e Grenoble.

Nestas eleições, será pela primeira vez aplicada uma nova lei para harmonizar o sistema de votação municipal de Paris, Lyon e Marselha com o de outros municípios: além das eleições a nível distrital, os eleitores das três maiores cidades de França também votarão para escolher diretamente o presidente da Câmara.

Além disso, na segunda volta das eleições, que decorrerá a 22 de março, a lista vencedora em Paris, Marselha e Lyon receberá um bónus de maioria de 25% dos lugares (50% nos restantes municípios), sendo o restante distribuído proporcionalmente, o mesmo sistema das eleições regionais.

Estas eleições serão também realizadas ao abrigo de nova legislação que regula a equidade no tempo de antena na comunicação social e endurece as regras de financiamento das campanhas, num contexto em que a desinformação e o uso de Inteligência Artificial para influenciar o voto estão a gerar preocupação de ingerências externas, após a deteção de vários casos de ciberataques pelas autoridades.

PUBLICIDADE