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Foge de Lisboa e cria um rebanho comunitário nesta aldeia na Região de Coimbra

Notícias de Coimbra | 2 horas atrás em 04-01-2026

Cátia Lucas, de 32 anos, trocou definitivamente o ritmo acelerado de Lisboa pela tranquilidade da aldeia de Aigra Nova, no concelho de Góis.

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Vive ali há quatro anos e garante que não há hipótese de regresso à cidade. “Se me perguntassem hoje se voltaria para Lisboa, não. Nem que me pagassem”, diz, entre risos. “Não trocava Aigra Nova por Lisboa. Até porque estas cabrinhas e ovelhas não há lá.”

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Formada em Turismo e Ambiente, a mudança não aconteceu de um dia para o outro. Foi, segundo explica, um processo natural e muito ligado à história da família. “Os principais culpados foram os meus pais”, conta. “Sempre fomos uma família escoteira e, quando eu tinha 16 anos, vieram acampar aqui por acaso. Foi amor à primeira vista. Sempre existiu este sonho de largar a cidade e viver no campo.”

Primeiro veio o pai, depois a mãe, professora de ensino especial. Cátia e a irmã continuaram os estudos fora, mas a ligação à aldeia nunca se perdeu. “Foi tudo muito orgânico. Quando percebi, já estava aqui de vez.”

Hoje, Cátia é uma das principais dinamizadoras da aldeia. É responsável pelo rebanho comunitário, um projeto que nasceu na sequência dos incêndios de agosto. “Ficámos aqui a defender a aldeia e percebemos que o único rebanho existente corria o risco de desaparecer”, explica. “Foi aí que surgiu a ideia de criar um rebanho comunitário.”

O projecto cruza preservação ambiental e turismo de experiência, com atividades como “pastor por um dia”, ordenhas, ateliers de queijo e contacto directo com os animais. Tudo pensado para uma economia circular, à escala local, e com impacto real na proteção do território.

Outro dos projectos que coordena é a Maternidade das Árvores, um viveiro de espécies autóctones que aposta no apadrinhamento de plantas e na educação ambiental. “Trabalhamos muito com a comunidade e com os mais novos, para explicar a importância das florestas nativas, que são muito mais resilientes aos incêndios”, explica.

Além dos projectos ambientais e culturais, Aigra Nova também aposta na gastronomia tradicional e no turismo de aldeia. Há broas de milho, broas de carne, filhozes regadas com mel dourado da serra, alojamento local e uma loja de artesanato aberta quase todo o ano.

No final, Cátia resume a escolha sem hesitações: “A qualidade de vida aqui é incomparável. O ar puro, a natureza e, claro, estas cabrinhas e ovelhas fazem toda a diferença. A vida em Aigra Nova é única — e eu não podia estar mais feliz.”

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