A Anacom multou a Fnac Portugal em 95.625 euros pela comercialização de equipamentos de rádio que não cumpriam os requisitos legais, decisão que a empresa já contestou em tribunal, informou hoje a Autoridade Nacional de Comunicações.
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“A Anacom aplicou à Fnac Portugal uma coima no valor de 95.625 euros e determinou a perda a favor do Estado de 17 equipamentos de rádio. Em causa está a comercialização de diversos equipamentos de rádio, enquanto distribuidor, que não cumpriam um conjunto de requisitos legais aplicáveis a este tipo de produtos”, lê-se no comunicado hoje divulgado.
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A entidade verificou que quatro destes modelos não apresentam a marcação CE aposta, cinco não tinham indicação do tipo, número de lote ou de série, ou outros elementos que permitissem a identificação e sete não tinham manuais de instruções e informações de segurança em português.
Além destes, em quatro situações, o distribuidor não adotou imediatamente medidas corretivas, designadamente para colocar os equipamentos em conformidade com a lei, retirá-los do mercado ou proceder à sua recolha.
A ausência de marcação CE visível impede que os consumidores tenham plena garantia de que os equipamentos cumprem os níveis de segurança exigidos ao nível europeu.
A autoridade lembra que a falta de identificação adequada dos equipamentos dificulta a sua identificação pelos consumidores, que, em regra, não dispõem de conhecimentos técnicos para o fazer por outros meios.
Além disso, falta de instruções de utilização e de informações de segurança, bem como a ausência destes elementos em língua portuguesa, pode impedir os consumidores de compreender corretamente o funcionamento dos equipamentos de rádio, comprometendo a sua utilização adequada e segura.
Entre os equipamentos identificados incluem-se: tomadas WiFi, ratos sem fios, interruptores WiFi, colunas sem fios, repetidores GSM, auriculares sem fios, auscultadores sem fios, ‘kits vlogger’ com Bluetooth, emissores de pequena potência, leitores MP4 Bluetooth com recetor FM, TV boxes Android e altifalantes sem fios.
“Adicionalmente, a FNAC Portugal não disponibilizou à Anacom, após solicitações para o efeito, cópias válidas das declarações UE de conformidade relativas a 10 modelos de equipamentos de rádio que havia comercializado”, o que dificulta a verificação do cumprimento das normas aplicáveis, nomeadamente em matéria de proteção da saúde e compatibilidade eletromagnética, referiu a autoridade.
A não adoção de medidas corretivas pode ainda permitir que equipamentos que não cumprem os requisitos legais continuem a ser disponibilizados no mercado, em prejuízo da proteção dos consumidores.
A Fnac Portugal já apresentou recurso de impugnação judicial contra a decisão da Anacom, junto do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão.
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