Mundo

Fim da publicidade a fast-food e doces antes das 21:00 neste país

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 14-01-2026

Imagem: depositphotos.com

O Governo britânico iniciou este mês uma proibição nacional à publicidade de alimentos com alto teor de gordura, sal ou açúcar, que passa a ser proibida na televisão antes das 21:00 e online em todos os horários. A medida visa reduzir a exposição das crianças a hambúrgueres, doces e milkshakes, produtos que frequentemente aparecem nos horários em que os mais novos estão a assistir.

PUBLICIDADE

publicidade

A iniciativa pretende combater a obesidade infantil, atuando através da regulação do marketing, e não apenas da educação alimentar. Modelos governamentais indicam que as restrições poderiam eliminar até 7,2 mil milhões de calorias da dieta infantil por ano e prevenir cerca de 20.000 casos de obesidade infantil.

PUBLICIDADE

Em Inglaterra, mais de uma em cada cinco crianças entra no ensino fundamental acima do peso ou obesa, sendo que ao terminar os estudos este número sobe para mais de um terço. A cárie dentária continua a ser a principal causa de internamento hospitalar em crianças pequenas.

“Ao restringir a publicidade de alimentos não saudáveis antes das 21:00 e proibir anúncios pagos online, podemos reduzir a exposição excessiva a produtos prejudiciais à saúde”, afirmou Ashley Dalton, ministro da saúde pública britânico, acrescentando que estas regras ajudarão a tornar “a escolha saudável a escolha mais fácil”.

A política segue exemplos anteriores, como o Imposto sobre a Indústria de Refrigerantes de 2018, que levou à reformulação das bebidas açucaradas e reduziu em cerca de 35% o açúcar vendido nestes produtos. Estudos mostram ainda que restrições à promoção de alimentos menos saudáveis em supermercados tiveram efeitos positivos, embora modestos, nas vendas.

Especialistas afirmam que a proibição da publicidade é um passo importante. “As crianças são altamente suscetíveis ao marketing agressivo de alimentos não saudáveis”, afirmou Katherine Brown, investigadora da Universidade de Hertfordshire, descrevendo a medida como “há muito esperada”.

Apesar das restrições, as empresas podem continuar a promover as suas marcas, mas não os produtos específicos. Uma rede de fast-food pode, por exemplo, exibir o logótipo ou mascote, mas não os hambúrgueres ou milkshakes, pode ler-se na ZME Science.

No entanto, os críticos alertam que a publicidade exterior não está abrangida, incluindo outdoors e cartazes em transportes públicos. Desde o anúncio das restrições em 2020, o investimento em publicidade exterior aumentou substancialmente, mantendo a exposição das crianças a imagens de alimentos não saudáveis.

Os especialistas lembram que o controlo da publicidade por si só não resolverá os problemas alimentares. Reformular produtos pode reduzir açúcar ou sal, mas não garante hábitos alimentares mais saudáveis, e algumas substituições levantam preocupações adicionais, como impactos ambientais e para a saúde.

Alice Wiseman, da Associação de Diretores de Saúde Pública, reforçou que “o que comemos e bebemos é fortemente influenciado por preços baixos e campanhas de marketing multimilionárias”, sublinhando que a liberdade de escolha é limitada.

A nova regulamentação reflete esforços anteriores na prevenção do tabaco e dos cigarros eletrónicos, representando um passo significativo na proteção da saúde das crianças, embora especialistas considerem que ainda há um longo caminho a percorrer.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE