Política

Filho de Maria Helena Costa, militante do Chega, não lhe poupa nos elogios: “fascista lunática”

Notícias de Coimbra | 2 horas atrás em 22-03-2026

A recente votação na Assembleia da República que resultou na revogação da lei que permitia a mudança de género em menores levou Miguel Salazar a voltar a criticar publicamente a mãe, Maria Helena Costa, presidente da Associação Família Conservadora e membro da concelhia do Chega da Póvoa de Varzim.

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O jovem recorreu às redes sociais para reagir ao momento político e fazer novas acusações à progenitora.

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Miguel Salazar, que anteriormente já tinha denunciado alegadas agressões e tentativas de o submeter a “terapia” por ser homossexual, publicou um longo desabafo onde acusa Maria Helena Costa de ter “diabolizado” a sua existência e descreve-a como uma “fascista lunática”.

“Por mais que tenha vindo a ignorar a existência de quem me deu à luz – Maria Helena Costa -, percebo que o ódio que a consome não parou no momento em que me libertei de toda a violência desta fascista lunática que vive cada dia para nos atormentar, desde que descobriu que sou gay. Enquanto fui prisioneiro dos seus delírios, dos seus insultos, dos seus estalos e puxões de cabelo, das gritarias das milhentas discussões até às tantas da noite, das suas ameaças de que me bateria, me expulsaria de casa, me proibiria de me relacionar com pessoas LGBTI+ e me cortaria a internet se eu abusasse na defesa da minha dignidade, da sua menorização e diabolização da minha existência, soube que não iria parar em mim”, relata Miguel.

O jovem recorda que os conflitos começaram ainda na adolescência, quando assumiu a sua orientação sexual. “aos 16 anos”. Ela achava que eu não tinha idade para me assumir como gay. ‘Ele diz que é gay’. Eu só tinha idade para a APAV confirmar ao meu treinador que eu sofria de violência doméstica e para me pré-diagnosticarem, no Centro Gis, com ansiedade e depressão resultantes do ambiente a que a ideóloga do Chega e deputada à Assembleia Municipal da Póvoa de Varzim me submeteu.”

Na mesma publicação, Miguel Salazar critica ainda os livros escritos pela mãe, classificando-os como “homofóbicos e transfóbicos sem qualquer respaldo científico estão à venda em praticamente qualquer livraria”, e refere a presença de Maria Helena Costa no debate parlamentar, mencionando também a deputada Rita Matias. “Nos dois dias em que se debateu a vida de pessoas trans, ali estava a Maria Helena. Sentada nas galerias da Assembleia da República, sedenta por ver materializada a sua luta pela opressão de quem nunca lhe fez mal, para fazer às pessoas LGBTI+ deste país tão mal ou pior do que o que me fez a mim. Enquanto ali estava, a deputada Rita Matias apontava para ela e para o seu gangue de fanáticos fascistas, descrevendo-os desde a tribuna como ‘bons pais’ e ‘boas mães’.”

O jovem diz ainda que chegou a ponderar o suicídio devido à situação vivida em casa. “Para a Rita Matias, a Maria Helena Costa é uma boa mãe, mesmo ela tendo conseguido a proeza de me fazer sentir vontade de tirar a minha própria vida, só e apenas porque gosto de rapazes. Uma boa mãe que, quando eu tinha 16 anos, me disse que eu tinha uma doença mortal, que ia acabar na prostituição, que estava possuído por demónios, que ia arder no inferno, entre outras barbaridades pelas quais nunca me pediu desculpa. Mas mais importante para ela do que defender-me e proteger-me, era garantir que não arderá no inferno depois de morrer por aceitar que tem um filho gay.”

Miguel Salazar admite que tem tentado afastar-se da figura pública da mãe, mas considera que o recente recuo legislativo reforça a sua preocupação com os direitos das pessoas LGBTI+. “Por ser impossível, tenho vindo a ignorar sucessivamente a sua existência e a sua militância odiosa e visceralmente hipócrita, mas o país acabou de recuar graças também aos contributos diretos e indiretos da minha mãe na redação das propostas aprovadas no dia 20 de março. Agora, a vida, a segurança e os direitos humanos das pessoas trans, a quem devo a minha vida, estarão em risco.”

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