Política
Figueira da Foz: Catarina Martins elogia ativistas ambientais que são “heróis da democracia”
Catarina Martins dedicou o quarto dia da campanha ao ambiente, com uma sessão pública dedicada ao tema em que juntou cinco ativistas ambientais ou os “heróis da democracia”.
Durante perto de duas horas, a candidata às eleições presidenciais ouviu representantes de cinco organizações não-governamentais da região, no primeiro de três laboratórios temáticos que vai realizar ao longo da campanha.
Dedicado ao ambiente, a sessão pública decorreu no Teatro Trindade, na Figueira da Foz, uma localização que não foi escolhida ao acaso.
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“Escolher a Figueira para mostrar como as comunidades estão a organizar-se para se defender é também porque temos noção de que aqui há uma série de fatores de risco particulares”, justificou.
Mobilizadas contra a extração de caulino na Aldeia do Meco, a erosão costeira na Figueira da Foz ou o incumprimento de planos municipais de ação climática, as associações que participaram no laboratório resultam da união de esforços das comunidades locais, um exemplo que Catarina Martins quer destacar.
“Esta gente que aqui está são os meus heróis da democracia. É gente que tem o seu trabalho e quando percebe que há um problema dedica as horas do seu tempo a proteger a sua comunidade. E se isto não é democracia, não sei o que é”, elogiou Catarina Martins.
Ao longo da campanha, a candidata apoiada pelo BE tem insistido que, enquanto Presidente da República, quer trazer para o debate político temas que afetam as pessoas.
Afirmando que as questões ambientais têm pouco espaço nesse debate, Catarina Martins sublinhou que, para as associações da sociedade civil, sobretudo aquelas que resultam de lutas locais, é ainda mais difícil fazerem-se ver e ouvir “quanto tantas vezes têm a solução que é precisa”.
“O meu laboratório do ambiente serve para mostrar o que eu acho que deve ser o mandato de uma Presidente da República: é chamar estas pessoas, ouvi-las, dar-lhes visibilidade porque estão a defender a sua comunidade”, explicou.
Já durante a tarde, Catarina Martins tinha estado com uma das associações convidadas para a sessão – a SOS Cabedelo – na praia da Cova Gala, onde os efeitos da erosão costeira são bem visíveis, apesar da reposição de areia durante o verão – a maioria da qual levada pelo mar passados apenas três meses.
“Vinte e um milhões de euros de areia posta aqui, que o mar levou em três meses. E porque é que isto acontece? Porque em vez de haver um plano estruturado para manter a linha da costa, vai-se pondo areia desconhecendo os estudos que são feitos e que pedem outras soluções”, criticou a candidata.
A solução proposta pela SOS Cabedelo é a construção de um “bypass” – um sistema de transferência contínua de areia – que permita restabelecer o equilíbrio natural dos sedimentos.
“Vim aqui para mostrar que há um problema grave com a linha da costa e esse problema põe em causa a segurança das populações, a segurança de pescadores, mas também há soluções. Felizmente, temos associações como a SOS Cabedelo, que tem vindo há muito tempo a lutar por isto”, afirmou.
Em novembro, essa luta deu passos no âmbito do Orçamento do Estado para 2026, com a aprovação de uma proposta para o lançamento do concurso público para a conceção e construção do sistema fixo de transposição de areias na barra da Figueira da Foz.
Ao lado de Catarina Martins na Figueira da Foz, a ex-deputada do BE Marisa Matias considerou também que o ambiente tem sido um dos temas que tem passado ao lado da campanha eleitoral.
“Sabemos que quem se candidata à Presidência da República não se candidata a um cargo executivo, mas pode e deve ter um papel para intervir nestas matérias, ajudar a intervir nestas matérias e encontrar soluções para o país”, defendeu Maria Matias, que participou na corrida a Belém em 2016 e 2021.
Questionada sobre os recentes apelos ao voto útil à esquerda em António José Seguro, apoiado pelo PS, Marisa Matias defendeu que, sobretudo numas eleições tão fragmentadas, a primeira volta “é o lugar em que as pessoas podem (…) votar com gosto”.
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