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Federação Nacional dos Médicos considera Plano para Outono/Inverno “uma desilusão”

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A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) considera que o Plano para o Outono/Inverno das autoridades de saúde “é uma desilusão” e cria expectativas “impossíveis de cumprir” nos Cuidados de Saúde Primários.

“É uma desilusão” porque “ignora as condições reais do trabalho nos cuidados de proximidade, sem uma única medida que concretize quais os novos recursos, particularmente humanos, para responder à maior carga de trabalho necessária”, argumenta a Comissão Nacional de Medicina Geral e Familiar da FNAM em comunicado.

Por outro lado, afirma, o plano também não especifica qual o investimento previsto a nível de instalações e equipamentos que garantam a segurança, qualidade e eficiência indispensáveis nos Cuidados de Saúde Primários (CSP).

“Se a situação experienciada no Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente nas áreas da Medicina Geral e Familiar e Saúde Pública, já era algo preocupante” devido às “sobrecargas de trabalho progressivas” com listas de utentes “sobredimensionadas”, entre outras causas, a epidemia da covid-19 tornou “ainda mais evidentes as carências” de recursos humanos, físicos, tecnológicos, de financiamento e problemas de organização e gestão.

A tudo isto acresce “um quadro crescente” de aposentações previstas para os próximos três, quatro anos, sublinha.

Apesar desta situação, a comissão nacional considera que os centros de saúde “estiveram à altura da situação de crise”, evitando taxas de incidência, internamentos e letalidade mais elevadas, como as que se verificaram em muitos outros países habitualmente classificados como “mais desenvolvidos”.

A comissão sublinha que os médicos de família, de saúde pública e hospitalares, juntamente com outros profissionais de saúde, tiveram “um papel essencial na contenção da epidemia em Portugal, vigiando em proximidade, ou tratando em internamento, a quase totalidade dos casos”.

Mas, apesar da resposta à pandemia ter sido “globalmente cumprida” pelos profissionais de saúde, a comissão nacional questiona “até quando” o vão conseguir fazer.

“É uma primeira e amargurada interrogação que deixamos ao Governo, enquanto estrutura sindical médica preocupada e empenhada na busca das melhores soluções”, sublinha no comunicado.

Lembra ainda que o país vive “um momento particularmente delicado”, atendendo ao início do ano escolar, ao período de outono/inverno e à situação social, económica e cultural, criada pelo desemprego, pela diminuição de rendimentos da maioria das pessoas e pela ansiedade mais ou menos generalizada criada na população.

Perante este quadro, a FNAM apresenta propostas que considera “obrigatórias para encarar este evento pandémico e o futuro do SNS”, nomeadamente a “necessidade urgente de diminuição das listas de utentes”, a contratação dos médicos recém-especialistas e o estabelecimento de medidas concretas para atrair aqueles que por diversas razões abandonaram o SNS

“A contratação de médicos para trabalho de vigilância através da plataforma ‘Trace Covid’ e outro que possa ser assegurado na retaguarda e um plano de recuperação da atividade assistencial em atraso são outras medidas propostas do FNAM.

Em 21 de setembro, o Ministério da Saúde anunciou a criação de uma ‘task-force’ para dar resposta aos doentes não covid-19, uma medida que faz parte do Plano da Saúde para o Outono-Inverno.

Relativamente à pandemia de covid-19, o plano prevê um reforço da resposta em saúde pública, especialmente em situações de surtos; adapta as atuais Áreas Dedicadas à covid-19 em Áreas Dedicadas aos Doentes Respiratórios e os circuitos de internamento hospitalar para diferentes fases da resposta.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos e mais de 34 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.977 pessoas dos 76.396 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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