Várias queixas estão a ser apresentadas esta terça-feira, 24 de fevereiro, na 2.ª Esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP), em Coimbra, relacionadas com alegadas agressões a jovens e adolescentes que estarão a ser filmadas e posteriormente divulgadas nas redes sociais.
O Notícias de Coimbra está no local e confirmou que há vários pais a formalizar denúncias contra um grupo que, segundo os relatos, atuará em diferentes zonas da cidade.
Um dos pais que apresentou queixa, pediu anonimato, e relatou ao nosso jornal que o filho, de 16 anos, foi agredido no domingo. “Foi pego de uma maneira covarde. Procuram pessoas mais vulneráveis para poder estar a fazer esses ataques sem qualquer motivo”, afirmou.
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Segundo o pai, o jovem foi abordado depois de ter estado no centro comercial com amigos. “Eles inventam um pretexto qualquer, dizem ‘atropelaste o meu pé’ ou ‘esbarraste em mim’. São coisas sem nexo, que servem de motivo para desencadear uma briga”, explicou.
O adolescente terá sido agredido por “cinco ou seis pessoas”. “São todos mais altos, com 1,70m, 1,90m. O meu filho tem 1,65m. Não há motivo para o que estão a fazer”, lamentou.
O caso torna-se ainda mais grave, segundo os denunciantes, pelo facto de as agressões serem filmadas e publicadas nas redes sociais. “Eles fazem a maldade, filmam e depois postam. Há grupos abertos onde esses vídeos circulam com milhares de visualizações. Isso roda Portugal todo, não é só Coimbra”, denunciou.
O pai garante que há vários jovens a serem alvo de violência e ameaças, mas que muitos têm medo de falar. “Tem muita gente que está a ser agredida e está a ficar quieta, porque há ameaças. Estão a ameaçar o meu filho e a minha filha”, afirmou.
Além do filho, também a filha, de 15, terá sido vítima de agressões, em episódios distintos. “Foram os dois agredidos. Um num dia, outro noutra semana. Só tomei conhecimento há pouco tempo”, revelou.
Segundo descreve, o grupo será composto por rapazes e raparigas. “São jovens, há do sexo feminino e masculino. Querem criar uma rivalidade onde não tem que existir”, disse.
Refere ainda que, alegadamente, alguns dos envolvidos não serão residentes na cidade. “Muitas das vezes esses menores não são nem de cá. Vêm de outros sítios para perturbar as nossas crianças”, afirmou, referindo zonas como Aveiro, Figueira da Foz e Anadia.
O pai mostra-se preocupado com a escalada de situações semelhantes. “Coimbra é uma cidade pacata, super tranquila. Isto não é Lisboa nem Porto. A gente não quer isso aqui”, sublinhou.
Questionado sobre o estado psicológico dos filhos, garante que ambos se mantêm “tranquilos”, mas admite que a família reforçou medidas de segurança.
Ao que foi possível apurar, as alegadas agressões poderão não ser recentes, existindo referências a episódios semelhantes desde 2021 ou 2022, mas com maior frequência nas últimas semanas.