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Famílias das vítimas consternadas por falta de inspeções em bar suíço que ardeu na passagem de ano
As famílias das vítimas do incêndio que deflagrou na passagem de ano num bar suíço receberam hoje “com consternação” a notícia de que não foram realizadas inspeções de segurança entre 2020 e 2025, afirmou um dos seus advogados.
“Os meus clientes receberam com consternação as informações comunicadas durante a conferência de imprensa” realizada hoje de manhã pelos responsáveis da câmara municipal local, disse o advogado que representa várias famílias das vítimas, Romain Jordan.
O município de Crans-Montana admitiu hoje “uma falha” na realização de inspeções periódicas de segurança e incêndio no bar que ardeu na véspera de Ano Novo numa estância de esqui suíça, matando 40 pessoas, incluindo uma cidadã portuguesa, e ferindo 116.
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“As inspeções periódicas não foram realizadas entre 2020 e 2025. Lamentamos profundamente por isso”, disse o presidente da Câmara de Crans-Montana, Nicolas Féraud, numa conferência de imprensa realizada na estação alpina.
O responsável do município não avançou, no entanto, por que razão as inspeções não foram realizadas.
“O número alarmante de falhas e deficiências nas inspeções torna ainda mais urgente a necessidade de uma investigação por parte da autarquia”, defendeu, acrescentando que as famílias das vítimas gostariam de “ter ouvido um pedido de desculpas”, especialmente porque já passaram cinco dias do incidente.
Por enquanto, apenas os dois proprietários franceses do bar, Jacques e Jessica Moretti, estão a ser alvo de uma investigação criminal, suspeitos de “homicídio negligente, lesão corporal negligente e incêndio criminoso negligente”.
Mas, para o advogado Romain Jordan, “a câmara municipal e todas as autoridades têm de assumir integralmente as suas responsabilidades”, posição que foi secundada pelo advogado de quatro famílias de feridos, Sébastien Fanti.
O incêndio no bar “Le Constellation” deflagrou cerca das 01:30 do dia 01 de janeiro, provocando a morte de 40 pessoas e 116 feridos, entre as quais também se encontra uma portuguesa.
De acordo com dados preliminares da investigação policial em curso, o fogo terá sido desencadeado por velas festivas colocadas em garrafas de champanhe.
Uma imagem publicada nas redes sociais mostra vários jovens a erguerem garrafas de champanhe com velas que quase tocavam a espuma que revestia o teto do estabelecimento.
Os frequentadores do bar, na sua maioria adolescentes e jovens adultos, ficaram encurralados pelas chamas.
De acordo com a autarquia, o estabelecimento, que tinha uma divisão na cave e outra no rés-do-chão, tinha duas saídas de emergência e capacidade para 100 pessoas por piso.
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