Portugal

Faltam dois meses para Lisboa ser a capital mundial da juventude católica

Notícias de Coimbra com Lusa | 1 ano atrás em 02-06-2023

A dois meses de receber mais de um milhão de jovens de todo o mundo, Lisboa prepara-se para a Jornada Mundial da Juventude, do dia 01 a 06 de agosto, para o qual é esperada a presença do Papa Francisco.

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Com a confirmação da presença do pontífice argentino em Portugal entre 02 e 06 de agosto, a preparação deste acontecimento mundial está a envolver centenas de voluntários, cuja “máquina” está instalada na antiga Manutenção Militar, no Beato, em Lisboa.

É ali que o bispo auxiliar de Lisboa, Américo Aguiar, comanda os diferentes setores que, desde o protocolo à logística, estão a dar corpo ao maior evento alguma vez realizado em Portugal.

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A JMJ é um encontro dos jovens de todo o mundo com o Papa. Segundo a organização, é, em simultâneo, “uma peregrinação, uma festa da juventude, uma expressão da Igreja universal e um momento forte de evangelização do mundo juvenil”.

Acontece todos os anos a nível diocesano, até 2020 por altura do Domingo de Ramos e, a partir de 2021 no Domingo de Cristo Rei. A cada dois, três ou quatro anos ocorre como um encontro internacional, numa cidade escolhida pelo Papa, sempre com a sua presença.

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“Reúne milhares de jovens para celebrar a fé e a pertença à Igreja”, acrescenta a organização da JMJ, acrescentando que, “desde a primeira edição, que se realizou na cidade de Roma em 1986, a Jornada Mundial da Juventude se tem evidenciado como um laboratório de fé, um lugar de nascimento de vocações ao matrimónio e à vida Consagrada e um instrumento de evangelização e transformação da Igreja”.

A JMJ Lisboa 2023 realiza-se entre 01 e 06 de agosto, com as principais iniciativas a decorrerem em Lisboa, no Parque Eduardo VII, na zona de Belém e no Parque Tejo (a norte do Parque das Nações e em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures).

Além das principais cerimónias com o Papa Francisco – Acolhimento (03 de agosto), Via-Sacra (04), Vigila (05), Missa final (06) e encontro com voluntários (06) -, estão previstos dezenas de eventos como concertos, conferências, feira vocacional, reflexões, em múltiplos espaços da capital.

Na zona de Belém, estará instalado o Parque do Perdão, onde os jovens poderão confessar-se em confessionários construídos por reclusos de diversos estabelecimentos prisionais do país.

Além dos chamados eventos centrais com a presença do Papa Francisco, o programa da JMJ Lisboa 2023 vai contar, ao longo da semana de 01 a 06 de agosto, com várias iniciativas paralelas – atualmente estão confirmadas já mais de 200 -, como eventos musicais, conferências, exposições, teatro, dança, cinema e torneios desportivos.

Para estas iniciativas estão já identificados 90 espaços nos concelhos de Lisboa e Loures, bem como noutros municípios das dioceses de Lisboa, Santarém e Setúbal, onde ficarão alojados os peregrinos.

Até agora, estão já previstas as intervenções de representantes de 55 países.

“Maria levantou-se e partiu apressadamente” é a citação bíblica escolhida pelo Papa Francisco como lema da JMJ de Lisboa.

A frase bíblica (uma citação do Evangelho de São Lucas) dá início ao relato da Visitação (a visita de Maria a sua prima Isabel), um episódio bíblico que se segue à Anunciação (o anúncio do anjo a Maria de que iria ser a mãe do Filho de Deus e que foi o tema da última JMJ, na cidade do Panamá).

Para a JMJ Lisboa 2023, o Comité Organizador Local escolheu 13 patronos, mulheres, homens e jovens que “demonstraram que a vida de Cristo preenche e salva a juventude de sempre”, nascidos na cidade que acolhe a Jornada ou que, naturais de outras geografias, são modelos para a juventude.

São João Paulo II, São João Bosco, São Vicente, Santo António de Lisboa, São Bartolomeu dos Mártires, São João de Brito e os beatos Joana de Portugal, João Fernandes, Maria Clara do Menino Jesus, Pedro Jorge Frassati, Marcel Calo, Chiara Badano e Carlo Acutis são os patronos da Jornada Mundial da Juventude a realizar em Lisboa.

Até ao momento, cerca de 600 mil jovens de todos os continentes e de 184 países iniciaram já o seu processo de inscrição, estimando-se que 200 mil já o terão concluído, incluindo o pagamento.

A organização nunca apontou um número concreto de peregrinos desejado nesta JMJ, tendo em conta as incertezas provocadas pelo pós-pandemia de covid-19 e pela guerra na Ucrânia, mas é assumido que mais de um milhão de jovens estarão em Lisboa para o encontro mundial com o Papa Francisco.

Muitos jovens que estarão em Portugal para a JMJ poderão, também, não fazer qualquer inscrição, pois a participação é livre e aberta a todos.

Dos cerca de 200 mil peregrinos com a inscrição já paga, a Espanha lidera o ‘ranking’ de países, com 39.777, seguida da Itália, com 32.369.

Portugal, com 19.350 – o maior volume de inscrições de portugueses é esperado para as semanas mais próximas da Jornada, sendo também aguardado um grande número de jovens portugueses que estarão na JMJ sem se inscreverem -, França, com 9.283 e Polónia, com 9.053, são os outros países europeus com mais inscritos com o processo concluído.

Dos Estados Unidos da América estão já confirmados 5.807 jovens.

Mais de 25 mil voluntários já começaram o seu processo de inscrição e 20.605 já o concluíram, segundo a organização, merecendo destaque 363 que já estão validados para a área da Saúde, incluindo médicos, enfermeiros e estudantes do último ano de Medicina.

O objetivo total é chegar aos 30 mil voluntários.

Os voluntários, que vêm de todo o mundo também, têm a tarefa de orientar e ajudar os peregrinos em áreas tão distintas como a assistência a pessoas com deficiência, assistência médica, fotografia, sala de Imprensa, comunicação (Internet e redes sociais), serviço ao palco (eventos), informática, liturgia, logística, acolhimento e ‘check-in’ (a cargo do Corpo Nacional de Escutas), alojamentos, distribuição de materiais, pontos de informação, distribuição de refeições, transportes, limpeza e proteção do meio ambiente, secretaria ou traduções.

Apesar de serem voluntários para trabalhar na JMJ, estes participantes também pagam inscrição, com valores entre os 30 e os 145 euros, que, conforme o pacote, lhes dará direito a alojamento, alimentação, transporte, seguro e kit do voluntário.

Os peregrinos que se inscreverem na JMJ vão pernoitar em instalações das dioceses de Lisboa, Setúbal, Santarém e das Forças Armadas e de Segurança, bem como em famílias de acolhimento.

Pavilhões, associações, escolas, seminários, foram algumas das infraestruturas procuradas desde o início para o acolhimento dos muitos milhares de jovens na semana de 01 a 06 de agosto.

Até ao momento estão identificados milhares de espaços nas três dioceses – Lisboa, Setúbal e Santarém – e decorrem negociações para a assinatura de protocolos com câmaras e diferentes entidades municipais.

Cerca de 6.000 famílias já se inscreveram para acolher peregrinos e a organização continua a receber diariamente dezenas de inscrições de todas as paroquias das dioceses de acolhimento.

As refeições para os peregrinos vão ser fornecidas por estabelecimentos de restauração da zona de Lisboa, no âmbito de um protocolo estabelecido entre a Fundação JMJ Lisboa 2023 e a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

A organização aponta para que já estejam negociadas mais de dois milhões de refeições com mais de um milhar de estabelecimentos.

O acesso dos peregrinos às refeições será feito mediante a apresentação de ‘vouchers’ que receberão no ‘check-in’.

Pelo que foi divulgado nos últimos dias no relatório e contas de 2022 da Fundação Jornada Mundial da Juventude, a projeção de participação de responsáveis eclesiais foi atualizada para um total de 800 bispos, 300 secretários e 100 altos eclesiásticos, oriundos de 110 nacionalidades e falantes de 58 idiomas.

A maioria ficará instalada em hotéis ou casas de congregações na cidade de Lisboa.

O Coro e a Orquestra da Jornada Mundial da Juventude são constituídos por cerca de 300 jovens, entre cantores e músicos, integrando, também, elementos surdos, que interpretarão os cânticos em Língua Gestual Portuguesa.

Estes jovens vêm de diversas dioceses, incluindo das ilhas.

Durante os diferentes dias da JMJ, serão interpretados cerca de meia centena de cânticos.

A orquestra será dirigida pela maestrina Joana Carneiro.

A música “Há Pressa no Ar”, hino da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, foi inspirada no tema da JMJ Lisboa 2023 – “Maria levantou-se e partiu apressadamente” – e desenvolve-se em torno do “sim” de Maria e da sua pressa para ir ao encontro da prima Isabel, como relata a passagem bíblica.

“Há Pressa no Ar” tem letra do padre João Paulo Vaz, e música do professor e músico Pedro Ferreira, ambos da diocese de Coimbra. Os arranjos são do músico Carlos Garcia.

O hino foi gravado, até agora, em nove línguas além da portuguesa – inglês, espanhol, francês, italiano, mandarim, vietnamita, coreano, indonésio e árabe. Foi ainda traduzido para língua gestual portuguesa.

Duas toneladas de trigo mole produzido no Alentejo estão a ser usadas para fabricar as hóstias para as celebrações eucarísticas da JMJ.

O trigo foi oferecido pela Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC), em conjunto com a Germen – Moagem de Cereais, permitindo a produção, pelas Irmãs Clarissas do Mosteiro Imaculado Coração de Maria, na Estrela, em Lisboa, de milhões de hóstias para a JMJ.

As duas toneladas de trigo permitiram a produção de tonelada e meia de farinha com as características necessárias para o fabrico das hóstias.

As dioceses católicas portuguesas recebem, na semana anterior à JMJ, os Dias nas Dioceses, com milhares de jovens de todo o mundo distribuídos pelo território nacional, partindo à sua descoberta.

Os Dias nas Dioceses vão decorrer na semana de 26 a 31 de julho – de fora ficam as chamadas dioceses de acolhimento, Lisboa, Setúbal, Santarém e Forças Armadas e de Segurança.

“Os Dias nas Dioceses consistem num itinerário de preparação para os peregrinos e para as comunidades anfitriãs para a JMJLisboa2023. O objetivo passa por proporcionar uma experiência eclesial de partilha de fé, do ser Igreja, da comunidade, e por mostrar a riqueza das suas tradições, da cultura e do património”, sublinha a organização.

Estão já inscritos, de norte a sul do país, cerca de 700 grupos de peregrinos estrangeiros.

A JMJ tem como símbolos a cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani.

Com 3,8 metros de altura, a cruz peregrina, construída a propósito do Ano Santo, em 1983, foi confiada por João Paulo II aos jovens no Domingo de Ramos do ano seguinte, para que fosse levada por todo o mundo. Desde aí, a cruz peregrina, feita em madeira, iniciou uma peregrinação que já a levou a quase 90 países.

O ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani, que retrata a Virgem Maria com o Menino nos braços, tem 1,20 metros de altura e 80 centímetros de largura, e está associado a uma das mais populares devoções marianas em Itália.

“É antiga a tradição de o levar em procissão pelas ruas de Roma, para afastar perigos e desgraças ou pôr fim a pestes. O ícone original encontra-se na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, e é visitado pelo Papa Francisco que ali reza e deixa um ramo de flores, antes e depois de cada viagem apostólica”, informa o gabinete de comunicação da JMJLisboa2023.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

A primeira edição aconteceu em 1986, em Roma, tendo já passado por Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

Tendo presente que “o meio ambiente é um bem coletivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos”, como escreve o Papa Francisco na encíclica Laudato Si, a Fundação JMJ Lisboa 2023, em parceria com a Global Tree Initiative (GTI), lançaram o desafio mundial de plantação de árvores, alertando para a importância da biodiversidade e para as alterações climáticas, sensibilizando para os seus efeitos.

A GTI registou até ao dia 26 de maio a plantação de 6.753 árvores dedicadas à JMJ Lisboa 2023, um pouco por todo o mundo, nomeadamente em Portugal, Espanha, França, Índia, Austrália, Angola, Guiné ou Brasil.

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