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Fado voltou a estar na moda. Lusodescendentes querem mostrá-lo aos norte-americanos

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O fado está a ressurgir nas comunidades luso-americanas da Califórnia e os fadistas lusodescendentes querem mostrá-lo aos norte-americanos, expandindo o conhecimento do género musical que consideram encarnar a língua e cultura portuguesas. 

“O nosso foco é pegar no fado e introduzi-lo junto da comunidade americana, a comunidade não-portuguesa”, disse o fadista David Garcia, filho de emigrantes do Pico e nascido em São José.

“É muito apreciado fora da comunidade e estamos a tentar mostrar que há fadistas nascidos cá que têm fado na sua alma”, continuou. “Estamos a promover não só a música mas também a língua e a cultura”, acrescentou.

O fadista falava numa sessão da 46.ª conferência anual da Luso-American Education Foundation (LAEF), que terminou esta terça-feira. O painel abordou o fado como veículo de promoção da língua e cultura portuguesa.

“O fado está na moda”, assegurou David Garcia, que tem lançado vários temas originais e é um dos nomes mais proeminentes do panorama musical luso-americano na Califórnia.

Também a fadista Marisa Silva Rocha, que acaba de lançar o seu primeiro álbum “Este fado tão amado”, afirmou a vontade de expandir a apreciação do fado para fora da comunidade.

“Queremos mostrar o fado ao resto do mundo”, disse a lusodescendente, nascida em São José. “Queremos mostrá-lo aos americanos, queremos ter orgulho da nossa cultura”.

Marisa Silva Rocha frisou que também é importante atrair mais jovens para a arte de tocar guitarra e cantar fado nos Estados Unidos.

“Queremos encorajar as gerações que virão a seguir à nossa, porque vejo que há uma desconexão e é importante que lhes mostremos que se nós podemos fazê-lo tendo nascido na América, eles também o podem fazer”, afirmou.

“É importante não apenas para mostrar a nossa cultura ao mundo e a música portuguesa, mas também mostrar às próximas gerações que isto não é para velhos, é algo especial”, continuou. “Não se assustem”, reforçou.

Ainda assim, Marisa Silva Rocha sublinhou que os fadistas na Califórnia estão algo limitados, por não haver tantos músicos de guitarra portuguesa.

“Sinto que estamos mais limitados que os fadistas em Portugal”, disse. “Apreciamos muito os músicos que temos porque é com o seu apoio que conseguimos cantar”, explicou.

O apresentador do painel, professor Diniz Borges, considerou que Portugal pode apoiar o desenvolvimento do fado na Califórnia investindo em guitarras e treinando guitarristas luso-americanos locais.

“As guitarras portuguesas são caras”, anuiu Angela Brito Baldwin, que foi uma das primeiras lusodescendentes de nova geração a cantar fado na Califórnia, quando tinha cerca de 11 anos.

“Com o fado estamos a expor a nossa alma”, disse.

Depois de um hiato, voltou a atuar em meados da década de 2000 numa altura em que pouco ou nada se ouvia de fado. “Não havia muita gente a tocar guitarra e a cantar fado. Era uma novidade, jovens a tocar guitarra e a cantar”, afirmou.

Em 2014, tornou-se na primeira fadista luso-americana a ser considerada para um prémio Grammy na categoria de Música do Mundo, algo que David Garcia viria a conseguir também no ano seguinte.

Os dois fadistas participaram no painel da conferência LAEF a partir do restaurante português Uma Casa, do chef Antelmo Faria, que esta terça-feira recebeu a atuação de Marta Pereira da Costa, a única mulher que toca guitarra portuguesa de forma profissional.

A artista encerra a sua ’tour’ pelos Estados Unidos a 06 de outubro no Art Boutiki Music Hall, em São José, acompanhada ao piano por Alexandre Diniz.

A 46.ª conferência da LAEF decorreu entre 30 de setembro e 04 de outubro com o tema “Navegando o Futuro”.

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