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Exposição “O livro transformado” quer surpreender e incentivar à leitura em Coimbra

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As muitas vidas que um livro pode ter inspiram “O livro transformado”, exposição no Convento São Francisco, em Coimbra, que pretende surpreender e ajudar à entrada no mundo da literatura, explica a curadora Cristina Robalo Cordeiro. 

“Queremos mostrar que o livro – qualquer livro, um bom livro – é também uma sequência infinita de de metamorfoses e que a juventude do livro reside justamente na capacidade transformadora que faz com que nunca morra”, afirma à agência Lusa Cristina Robalo Cordeiro, que partilha a curadoria com António Pedro Pita.

“Um livro transformado” convida a percorrer numa estante, tal “como entramos e saímos de uma biblioteca, com o desejo de descoberta do livro”, revelando “as muitas vidas que um livro tem”.

A partir de “Os Lusíadas”, de Camões, e de “A Paixão”, de Almeida Faria, apresenta-se o livro na abordagem mais clássica, como as 19 línguas em que a obra de Camões está traduzida – do mirandês ao esperanto. 

Mas também se exploram caminhos originais, como a relação tátil através do Braille, a instalação que permite ler à lupa “Os Lusíadas” numa só folha, ou os processos de sonificação, em que “Os Lusíadas” surgem aqui “como uma peça musical”, concebida a partir da leitura da obra de Camões.

Já “A Paixão” é combustível para “Máquina de Ouver”, objeto da criatividade computacional para ouvir e ver o texto, valorizando “o ritmo, o tom, a entoação de quem está a ler”. 

A curadora justifica a escolha de Camões e de Almeida Faria por serem “autores de uma importância excecional”, reconhecendo que a relação entre ambos é “um bocadinho inesperada”, embora “refrescante e muito instrutiva”. 

“‘Os Lusíadas’ [a obra] impôs-se pelo estatuto único no cânone da literatura portuguesa e pelo seu apelo à aventura. É o texto de certa maneira fundador e fundacional da nossa literatura”, afirma a professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Almeida Faria, por seu lado, era “inevitável” por ser “o exemplo mais perfeito na nossa literatura atual da forma como o livro se transforma”, em particular “A Paixão”, de 1965.

A partir desse romance mostra-se “como nasce e como se constrói uma obra”, evidenciando-se o percurso que deu origem a uma tetralogia, a teatro e a teatro versificado, além da relação de textos de Almeida Faria com os desenhos de Mário Botas e a obra coral sinfónica do compositor Luís Tinoco, que, a partir de textos do escritor compôs “Os Passeios do Sonhador Solitário” e “Canções do Sonhador Solitário”.

A exposição “Um livro transformado” está, até 05 de setembro, no Convento São Francisco (entrada livre), integrada no projeto Coimbra Cidade da Literatura, no âmbito da candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2027.

“Coimbra é uma cidade de livros, leitores e escritores. Os livros aqui escritos, aqui impressos, aqui conservados, aqui estudados são aquilo a que, de certa maneira, podemos designar os habitantes silenciosos de Coimbra. Esta foi a ideia para fazer uma exposição sobre o livro”, frisa a curadora, desejando que a exposição seja “um ato de leitura”:

“Este percurso é uma espécie de performance que propomos, cujo movimento deve ser recriado pelo visitante, como qualquer ato de leitura. Espero que as pessoas se deixem surpreender e que esta seja uma entrada na literatura”, conclui Cristina Robalo Cordeiro. 

 

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