O artista mexicano Luis Felipe Ortega vai explorar os limites entre arquitetura, geometria, paisagem e corpo numa exposição em Coimbra, que preencherá quatro galerias distintas com um trabalho desenvolvido ao longo de anos.
A mostra “Corpos que são bordas: fronteiras”, concebida por Ortega para o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, estará patente nas quatro galerias do Círculo Sereia (Casa Municipal da Cultura, -1/ Parque de Santa Cruz, Jardim da Sereia), entre sábado e o dia 21 de março, com entrada gratuita.
“Este é um projeto que começou há já vários anos”, depois de o artista ter estado presente na Bienal de Coimbra em 2019, e que procura explorar a relação entre o corpo e os espaços, disse hoje à agência Lusa o criador da obra, entusiasmado por retornar à cidade.
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“Há uma relação de linguagens, situações, narrativas de espaço, no desenho, narrativas geométricas e cinematográficas”, tudo com a intenção de perguntar sobre o corpo contemporâneo “transitando por todos estes lugares”, explicou.
Para Ortega, o corpo é “uma ferramenta de ativação, uma ferramenta afetiva, que pode também afetar o espaço museográfico”, mas ser igualmente afetado por ele.
A criação está assente em três eixos, sendo um deles “a releitura do espaço arquitetónico do museu para fazer uma relação com a escultura”, a partir do qual se modificou duas das quatro galerias que acolhem a obra.
“Essa transformação tem a intenção de apagar os limites entre a arquitetura e a escultura”, fazendo o público perguntar-se onde está cada um ou como eles se fundem.
A segunda valência, um dos pontos que evidencia a influência latino-americana na obra, tem relação com um desenho geométrico, com cerca de 30 metros lineares, criado a partir de uma releitura do neoconcretismo brasileiro (um movimento artístico que influenciou países da América Latina, “em particular o México”).
O último pilar aborda a profunda investigação do artista sobre o diálogo entre a geometria e a paisagem, que se vai traduzir, no caso da exposição em Coimbra, na apresentação de um filme gravado no rio Amazonas, passando pelo Brasil, Perú e Colômbia, entre 2022 e 2025.
O processo de criação, recordou, “foi muito longo”, desenvolvido no âmbito de uma ligação entre a vertente de arquitetura da Bienal e do Círculo de Coimbra e do próprio trabalho do artista, que mantém uma convergência com este campo.
De acordo com Ortega, o local que acolhe a iniciativa tem a particularidade de estar dividido em “quatro salas com o mesmo formato”, das quais três têm igual dimensão “e a mesma relação com o espaço de fora [um jardim]”.
Limites esses que Ortega quis explorar: como existe uma linha ténue entre o interior e o exterior do local, e “embora não seja preciso cruzar uma porta para entrar ou para sair, parece que há um momento onde tudo isto tem a intenção de ser parte de um todo”.
“E aí o espetador é parte desse todo”, acrescentou.
A exposição “Corpos que são bordas: fronteiras”, de Luis Felipe Ortega, um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea latino-americana, será inaugurada no sábado, às 16:00, com a presença do embaixador do México em Portugal, Bruno Figueroa, entidade que apoia a exposição.
Segundo a Anozero – Bienal de Coimbra, a obra de Luis Felipe Ortega estabelece uma extensa rede de relações entre literatura, cinema, filosofia, antropologia, música e artes visuais, num trabalho que coloca em tensão os limites das peças com o corpo do espetador e sublinha a dimensão política do fazer artístico.
Representou o México na 56.ª Bienal de Veneza (2015) e participou em diversas bienais internacionais – Coimbra (2019), Praga (2009), Tirana (2001) e Gwangju (2000), além de ter um percurso marcado por importantes exposições individuais e coletivas em instituições da Europa e das Américas.
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