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Coimbra

Europa é uma canção | Universidade de Coimbra cria primeiro curso com grau europeu (com video)

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A Universidade de Coimbra integra desde Junho de 2020 o Campus Europeu de Cidades Universitárias (EC2U) e está a preparar o lançamento de um mestrado pan-europeu, em Cidades Sustentáveis, revelou o vice-reitor para as Relações Internacionais da Universidade de Coimbra, Nuno Calvão da Silva, em entrevista ao Notícias de Coimbra.

Integrada no trabalho alargado do NDC com o título “A Europa é uma Canção. Coimbra é a cidade”, desenvolvido em colaboração com a representação da Comissão Europeia em Portugal, a entrevista decorreu na Reitoria da Universidade de Coimbra e levantou algumas problemáticas que foram depois comentadas pelos responsáveis da Comissão. A União Europeia apoia também o combate ao insucesso escolar no ensino básico da Região de Coimbra.  No final deste artigo, e para desmitificar ideias feitas sobre a UE, encontra também a resposta a quem considera que o Programa Erasmus é só para festas e viagens.

Os polos de investigação e conhecimento mundiais residem nas universidades, onde se desenvolve a ciência e se contribui para a inovação. A União Europeia apoia a investigação e o desenvolvimento científico através de instrumentos como o Horizonte 2020. A Universidade de Coimbra participa neste programas e em projetos inter-universitários com outros países, alguns deles Estados Membros da União Europeia. Um desses exemplos é a participação da UC na aliança Campus Europeu de Cidades Universitárias (EC2U). 

O mestrado em Cidades Sustentáveis da Universidade de Coimbra conferirá um diploma europeu, com acreditação em todos os países da União Europeia, ao contrário do que sucede com os cursos nacionais, que têm o “selo” da universidade e do país onde são ministrados.

O futuro mestrado europeu está a ser desenvolvido entre a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra e duas universidades: Poitiers, na França e Turku na Finlândia. O Campus Europeu de Cidades Universitárias nasceu precisamente para “aprofundar a mobilidade académica entre as sete universidades e criar uma rede de investigadores, bem como três mestrados europeus, um deles o referido e liderado por Coimbra, na área das Cidades Sustentáveis.

Nuno Calvão da Silva defende que a União Europeia deve caminhar para a implementação da formação universitária reconhecida em todos os Estados Membros e revela que os processos administrativos de acreditação dos cursos no âmbito do Campus Europeu de Cidades Universitárias é demorado e muito complexo. “Falta uma agência europeia de acreditação”  dos cursos universitários, afirma reiterando que na “realidade deveria existir um grau [académico] europeu”.

A Comissão Europeia confirmou ao Notícias de Coimbra que está a desenvolver a criação de um grau académico europeu, em cooperação com as universidades e os estados-membros”. Um primeiro passo neste processo, revela a CE, é o  desenvolvimento do estudo intitulado “Road towards a European degree: Identifying opportunities and investigating the impact and feasibility of different approaches”.  O objetivo é explorar as possibilidades, benefícios e viabilidade de um grau académico europeu, supra nacional, que se constituirá como “experiência transformativa do ensino superior europeu”.

O âmbito e a viabilidade dos diferentes modelos de implementação do novo grau académico europeu serão “discutidos com os Estados-Membros e uma vasta gama de partes interessadas, incluindo alianças entre universidades europeias” – informa a Comissão.

Também em “estreita cooperação com os Estados-Membros e o sector do ensino superior”, a Comissão Europeia revelou que “está a analisar o processo da Qualidade e poderá vir a implementar a revisão da Recomendação do Conselho e do Parlamento sobre a Garantia da Qualidade do Ensino Superior, no pleno respeito do princípio da subsidiariedade”.

Financiamentos nacionais criam “assimetrias” entre estados-membros?

Ao nível financeiro, o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Calvão da Silva considera que o “financiamento do projeto é insuficiente para a ambição que revela” sendo financiado pelo Horizonte 2020, em que cada parceiro dispõe de um montante de 800 mil euros.

O  problema – afirma – é que há parceiros de outros países que têm financiamento dos próprios governos, o que não acontece em Portugal e com a Universidade de Coimbra. Por exemplo, França atribuiu uma comparticipação nacional de um milhão de euros ao projeto do Campus Europeu da Universidade de Poitiers, para além do financiamento europeu.

O vice-reitor considera que desta forma estão a ser “criadas assimetrias” o que constitui a “antítese do que deveria ser um projeto europeu”. Este cenário, sublinha, “gera problemas porque uns têm mais condições para avançar mais facilmente, com mais ideias, com mais projetos e do que os restantes, como a UC, que conta só com o financiamento da União Europeia. 

“Um projeto europeu não deve cavar assimetrias como acontece com Portugal, país que “não financia nenhuma das universidades selecionadas para participar nos campi universitários europeus. Os líderes políticos revelam que este é um grande sonho e agora têm de estar, nos atos, à altura das suas palavras e ambições para a Europa”.

Questionada pelo NDC acerca da participação do financiamento adicional de cada país aos programas europeus e da eventual criação de desigualdades, a Comissão Europeia responde que “encoraja os Estados Membros a cofinanciar a iniciativa. Esse apoio financeiro pode assumir várias formas, dependendo do mecanismo de financiamento utilizado para as instituições de ensino superior nos diferentes Estados-Membros.”

A Comissão diz-se em “contacto estreito com os Estados-Membros sobre esta questão e está a promover a prestação de apoio financeiro nacional específico a instituições de ensino superior pertencentes a uma universidade europeia selecionada”.

“O Campus Europeu de Cidades Universitárias – EC2U é uma aliança multicultural e multilingue formada por sete universidades com grande historial, orientadas para o ensino e a investigação, de implantação local e global, e situadas em quatro regiões distintas da União Europeia.

A criação formal da aliança EC2U foi feita através de um memorando de entendimento assinado em 2018 pelos Reitores da Universidade de Coimbra, da Universidade Alexandru Ioan Cuza, de Iasi (Roménia), da Universidade de Pavia (Itália), da Universidade de Poitiers (França) – universidade coordenadora, da Universidade de Salamanca (Espanha), da Universidade de Turku (Finlândia) e da Universidade de Jena (Alemanha). A aliança EC2U é uma comunidade de 160 000 estudantes, docentes e pessoal técnico, com acesso direto a mais de 1 500 000 de cidadãos.

O EC2U foi criado com o desígnio de “promover o desenvolvimento de um espaço de inovação que permita fluxos de mobilidade livre entre as seis universidades e as cidades que lhes estão associadas”, assim como “para ultrapassar visões estereotipadas quanto às identidades regionais e nacionais, no sentido de uma Europa unida e mais forte”. Os fundos do Horizonte 2020 têm já uma nova edição, denominada Horizonte Europa e foram aumentados em fevereiro de 2021 para impulsionar as ações e colaborações internacionais no que toca à investigação e inovação.

Veja aqui o video com a entrevista ao vice-reitor da Universidade de Coimbra, Calvão da Silva, sobre a participação da UC no Campus Europeu de Cidades Universitárias.

 

A UE no ensino básico da Região de Coimbra

A intervenção da União Europeia no ensino inclui os níveis básicos de escolaridade. Na Região de Coimbra, há um projeto intermunicipal que combate o insucesso escolar e que tem impacto nas escolas básicas dos 19 municípios. São as chamadas Salas do Futuro que já estão a permitir a digitalização do ensino, muito impulsionados também pelo ensino à distância.

Cada município ou agrupamento de escolas desenvolve projetos no âmbito do programa “Ambientes Inovadores de Educação” que se insere nas ações do  Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, cofinanciado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e Fundo Social Europeu.

Contempla desde a formação de equipas multidisciplinares, ao programa de empreendedorismo nas escolas, educação parental, apoio a jovens, visitas de estudo à Região de Coimbra, a atividades de aprendizagem ativa e experimental, à implementação de ambientes inovadores de educação, ações de sensibilização e mobilização de competências digitais, entre outros. As ações são dirigidas a alunos, professores, técnicos, pessoal não docente, escolas, famílias envolvendo toda a comunidade educativa.

 

Mitos na União Europeia relacionados com o Ensino 

As atividades do Programa Erasmus são passeios e festas? Mito!

Desde 1987, os estudantes da União Europeia podem escolher outra universidade e outro estado-membro para complementar os estudos durante um ou mais semestres. Mas em Portugal e em Coimbra há muito que os “estudantes Erasmus” são confrontados com o preconceito de que o Esrasmus é apenas festas e viagens. A Comissão Europeia esclarece este mito por solicitação do Notícias de Coimbra.

O novo programa Erasmus+ oferece oportunidades de períodos de estudo no exterior, estágios, aprendizagens e intercâmbio de pessoal em todas as áreas da educação, formação, juventude e desporto. Está aberto a alunos de escolas, do ensino superior e do ensino e formação profissional, alunos adultos, intercâmbios de jovens, trabalhadores juvenis e treinadores desportivos.

Para além da mobilidade, que representa 70% do orçamento, o novo Erasmus + investe também em projetos de cooperação transfronteiriça. Estes podem ser entre instituições de ensino superior (por exemplo, a iniciativa das Universidades Europeias); escolas; escolas de formação e formação de professores (por exemplo, Academias de Professores Erasmus +); centros de aprendizagem de adultos; organizações juvenis e desportivas; provedores de educação e treinamento vocacional (por exemplo, Centros de Excelência Vocacional); e outros atores na esfera da aprendizagem.

Viagens e contacto com outras culturas da União fazem parte do programa de intercâmbio Europeu, mas as principais características do programa Erasmus + 2021-2027 são:

  • Erasmus + inclusivo: proporcionando melhores oportunidades para pessoas com menos oportunidades, incluindo pessoas com diversas origens culturais, sociais e económicas e pessoas que vivem em áreas rurais e remotas. As novidades incluem intercâmbios individuais e de turma para alunos da escola e mobilidade para alunos adultos. Será mais fácil para organizações menores, como escolas, associações de jovens e clubes desportivos, se inscreverem, graças a parcerias de pequena escala e ao uso de bolsas simplificadas. O programa também será mais internacional, para cooperar com países terceiros, aproveitando os sucessos do programa anterior com intercâmbios e projetos de cooperação em todo o mundo, agora também expandindo-se para o desporto e os setores de educação e formação profissional.
  • Erasmus + digital: a pandemia destacou a necessidade de acelerar a transição digital dos sistemas de educação e formação. O Erasmus + apoiará o desenvolvimento de competências digitais, em linha com o Plano de Ação de Educação Digital. Irá fornecer formação digital de alta qualidade e intercâmbios através de plataformas como eTwinning, School Education Gateway e o Portal Europeu da Juventude, e irá encorajar estágios no setor digital. Novos formatos, como programas intensivos combinados, permitirão que a mobilidade física de curto prazo no exterior seja complementada com o aprendizado online e o trabalho em equipe. A implementação do programa será ainda mais digitalizada e simplificada com a implantação completa do Cartão de Estudante Europeu.
  • Green Erasmus +: Em linha com o European Green Deal, o programa oferecerá incentivos financeiros aos participantes que utilizem meios de transporte sustentáveis. Também investirá em projetos que promovam a conscientização sobre as questões ambientais e facilitem os intercâmbios relacionados à mitigação da crise climática.
  • Erasmus + para jovens: o DiscoverEU torna-se agora parte do Erasmus + e dá aos jovens de 18 anos a possibilidade de obter um passe de comboio para viajar pela Europa, aprender com outras culturas e conhecer outros europeus. O Erasmus + apoiará também oportunidades de intercâmbio e cooperação através de novas atividades de participação juvenil, para ajudar os jovens a envolverem-se e a aprenderem a participar na vida democrática, sensibilizando para os valores europeus partilhados e os direitos fundamentais; e aproximar os jovens e os decisores a nível local, nacional e europeu.

Este artigo integra um conjunto de quatro trabalhos, que incluem entrevistas em video em Coimbra, produzidos pelo Notícias de Coimbra sobre a presença da União Europeia no dia a dia de Coimbra e da Região, intitulado “A Europa é uma Canção. Coimbra é a cidade” e contou com  uma parceria com a Comissão Europeia.

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