Portugal

Estudo revela a realidade das mulheres nas prisões

Notícias de Coimbra | 36 minutos atrás em 09-02-2026

Mais de metade das mulheres presas em Portugal apresentam sintomas de ansiedade, depressão ou stress pós-traumático e cerca de oito em cada dez são mães, segundo dados do projeto ‘Women Behind Bars’ avançados hoje à Lusa.

De acordo com os resultados preliminares do projeto desenvolvido pelo Ispa – Instituto Universitário, que utilizou uma amostra de 458 reclusas de um universo de 834 (dados de maio de 2025), 77,5% destas mulheres são mães e mais de 63% já eram cuidadoras primárias antes de terem sido condenadas a uma pena de prisão.

A saúde mental das mulheres também foi avaliada, tendo os resultados indicado que foram encontrados níveis moderados ou severos de ansiedade e depressão e de perturbação de stress pós-traumático em mais de metade da população prisional utilizada na amostra.

PUBLICIDADE

Outro dado que resultou do projeto “Women Behind Bars – Female Portuguese Inmates’ Characterization and Gender-Specific Needs Assessment”, cujos resultados preliminares serão apresentados na quarta-feira e quinta-feira, está relacionado com a distância entre as cadeias e a zona de residências das reclusas: quase 59% das mulheres estão a cumprir pena a mais de 50 quilómetros de sua casa.

Esta distância, segundo a investigação financiada pela Fundação La Caixa, “contribui para o afastamento familiar, a redução do número de visitas e o agravamento do isolamento social”.

Segundo a investigadora responsável por coordenar este projeto, Andreia de Castro Rodrigues, “os estudos internacionais mostram que as mulheres que cometem crimes apresentam experiências pré, durante e pós-reclusão substancialmente diferentes das dos homens, o que torna essencial uma análise específica deste grupo”.