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Estudo de docente da ESTeSC contribui para uma maior eficácia no tratamento do cancro com radioterapia

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Investigador defende que o tratamento do doente deve ser personalizado, adequando a dose de radiação ionizante às características celulares e moleculares dos tumores.

Prof. Fernando Mendes_ESTeSC
É apresentado amanhã em livro, pelas 16.00, na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC), o estudo do investigador Fernando Mendes, que revela como a adequação da dose de radiação às características celulares e moleculares dos tumores pode contribuir para uma maior eficácia no tratamento do cancro e, consequentemente, numa maior taxa de sobrevivência dos doentes. Neste processo, é preponderante o papel da P53, uma proteína determinante na defesa do DNA contra as agressões produzidas pela radiação.

Segundo Fernando Mendes, docente e diretor do Departamento de Ciências Biomédicas Laboratoriais da ESTeSC, a radioterapia é uma das modalidades de tratamento comummente utilizada para o tratamento do cancro, tanto de tumores sólidos como de tumores com origem hematopoiética.

“Este projeto surgiu com o principal propósito de caraterizar e avaliar a importância de marcadores celulares e moleculares envolvidos na radioterapia, ou seja, saber qual o impacto da radiação ionizante nos dois tipos de tumor e quais as principais diferenças”, refere o investigador, explicando que, para este propósito, foram determinados os efeitos da radiação ionizante na viabilidade, na proliferação, na sobrevivência e nos mecanismos de morte celular.
Foram escolhidos como objeto de estudo dois tipos diferentes de cancro, cujo tratamento integra o uso de radioterapia, e que são exemplos representativos de tumores sólidos e hematopoiéticos. O cancro do pulmão é um tumor sólido, com uma das taxas de incidência e de mortalidade mais elevadas em todo mundo, enquanto que o linfoma difuso de grandes células B é um tumor hematopoiético e o tipo mais comum de linfoma-não Hodgkin, salienta Fernando Mendes.

O estudo foi desenvolvido em linhas celulares (laboratório) e em patologia humana (doentes). Para atingir os objetivos propostos nos estudos em linhas celulares, explica Fernando Mendes, “foi desenvolvido um dispositivo específico para garantir que a deposição da dose fosse realizada de forma homogénea, reprodutível e fiável”. As quatro linhas celulares foram irradiadas com uma dose única e de seguida avaliou-se a sobrevivência e a viabilidade celular.
Verificou-se que a radiação ionizante induziu diminuição da proliferação, da viabilidade e da sobrevivência celular em todas as linhas celulares. No entanto, a sobrevivência ajustou-se a modelos de agressão celular distintos. Após exposição à radiação ionizante, o tipo de morte celular preferencial foi dependente da dose e do perfil de expressão de P53. Segundo o investigador, “uma das proteínas importantes na regulação do ciclo celular é a P53. A P53 é a guardiã do DNA, na medida em que apresenta um papel fundamental na manutenção da integridade do DNA, regulação do ciclo e indução de morte celular.”
Os resultados, afirma, demonstram que “devem ser utilizados diferentes modelos de ajuste às linhas celulares, dependendo do tipo de tumor e do seu perfil molecular”, salientando ainda a importância da “integração na rotina do tratamento do perfil de expressão de P53”, contribuindo para uma personalização do tratamento.
Na sequência dos resultados obtidos in vitro, o estudo estendeu-se também a doentes com os dois tipos de cancro, 8 doentes com cancro do pulmão e 9 doentes com linfoma, onde foi analisado o reflexo periférico da radioterapia no sistema imune dos doentes. De uma forma geral, apesar do limitado número de doentes envolvidos neste estudo, foi possível concluir que o estado do sistema imunitário no início do tratamento, bem como o tipo de tumor (sólido ou hematopoiético), contribuem para diferenças na resposta ao tratamento com radioterapia.
Como conclusão deste trabalho, verifica-se que “a resposta à radioterapia é dependente das caraterísticas celulares e moleculares das células tumorais”, e que “o melhor conhecimento e compreensão das caraterísticas moleculares do tumor e dos mecanismos de resposta ao tratamento constituem uma mais-valia na decisão terapêutica e na avaliação do prognóstico”.
Para o investigador, esta abordagem, no futuro, poderá contribuir para combinar novas estratégias terapêuticas com melhoria da resposta à radioterapia e, consequentemente, da sobrevivência. “A integração e a implementação destes conceitos na prática clínica contribuem para aumentar eficácia da radioterapia”, garante.
O trabalho experimental deste estudo foi desenvolvido no Instituto de Biofísica, no Laboratório de Oncobiologia e Hematologia da Unidade de Biologia Molecular Aplicada e Clínica Universitária de Hematologia e no Instituto de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), com a colaboração do Serviço de Radioterapia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra CHUC.
Os resultados desta investigação, financiada pela ESTeSC, FMUC e Delta, agora publicados em livro, foram incluídos na tese de doutoramento, do Programa de Doutoramento em Ciências da Saúde, ramo de Tecnologias da Saúde, orientada pelo Professor Doutor Manuel Santos Rosa, pela Professora Doutora Maria Filomena Botelho e pela Professora Doutora Ana Bela Sarmento Ribeiro, apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, intitulada “Caraterização celular e molecular dos efeitos da radiação em Neoplasias – estudo experimental em Linfoma e Carcinoma do pulmão de pequenas células”. Esta publicação é o 12.º volume da Coleção “Ciência, Saúde e Inovação | Teses de Doutoramento” da ESTeSC.

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