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Estudo descarta ligação direta do metrobus à Mealhada

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Um estudo encomendado pela Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra para a expansão do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) descarta a ligação direta à Mealhada, por não conseguir competir com a ferrovia.

O estudo, realizado pelo consórcio OPT e Oval, concluiu que havendo já uma ligação ferroviária entre Coimbra e Mealhada, essa ligação direta será sempre “mais competitiva do que qualquer serviço de BRT [bus rapid transit – autocarros em via dedicada]”.

Nesse sentido, a possível expansão a norte do SMM, que será servido por autocarros elétricos, deverá ser feita por Cantanhede, defende o estudo, que acaba por ir contra a posição defendida pela Câmara da Mealhada, que, mesmo tendo uma ligação ferroviária a Coimbra, queria uma linha direta de metrobus que servisse aquele concelho do distrito de Aveiro.

No entanto, o estudo sugere uma ligação entre Cantanhede e Mealhada, mais centrada na conexão entre os dois concelhos, assim como numa possível extensão futura da rede a Anadia.

O estudo, encomendado pela CIM da Região de Coimbra e que a agência Lusa consultou, analisa as possíveis expansões do SMM, nomeadamente a norte (Mealhada e Cantanhede), para o interior do distrito de Coimbra (Góis e Arganil) e para sul (Condeixa-a-Nova e Penela).

Sem tomar uma posição sobre que expansões deverão ser construídas – apenas apresentando os custos e benefícios de cada investimento -, o estudo, que será debatido hoje na reunião de Câmara de Coimbra, acaba por indicar quais as rotas que reúnem mais condições, seja pelo investimento ou pela captação de novos utilizadores.

Uma análise focada apenas no investimento necessário para concretizar a linha e na procura prevista mostra que a ligação a Góis e Arganil (através de uma expansão via Lousã) “se destaca dos restantes por se associar a um investimento notoriamente superior e a valores de captação de novos passageiros mais reduzidos”.

Este seria um percurso longo, com pontos com declives “desafiantes” para a implementação do traçado de BRT e em que há grandes zonas com reduzida densidade populacional (três das seis estações serviriam menos de 300 pessoas num raio de mil metros do seu local).

O estudo estima que esta expansão para Góis e Arganil teria um investimento total de 108 milhões de euros (muito superior a expansões para Cantanhede ou Condeixa) e um investimento médio por novo passageiro por ano de entre 280 e 310 euros (quase dez vezes mais que as restantes expansões), tendo uma pontuação de 0,07 (entre 0 e 1) no critério económico.

Para além disso, a própria linha não teria qualquer potencial de expansão “viável”.

A ligação entre Coimbra-B e Arganil demoraria, via metrobus, 92 minutos, cerca do dobro do tempo gasto em viatura própria entre as duas cidades, sendo a grande mais-valia desta expansão uma ligação de cerca de 12 minutos entre as sedes de concelho de Arganil e Góis.

Também relativamente a uma possível expansão da linha do SMM de Condeixa-a-Nova a Penela, são apontadas várias fragilidades quanto a esta operação.

Apesar de conseguir ter algumas boas métricas, estas surgem num processo em que esse eixo ‘colhe’ “muitos dos frutos” da extensão inicial a Condeixa-a-Nova, com o documento a concluir que os benefícios acrescidos “são relativamente baixos”.

O traçado, com um percurso de 60 minutos de metrobus entre Coimbra-B e Penela (em viatura, por autoestrada, o percurso é de cerca de meia hora), levaria apenas a um aumento de 2% do total da procura nessa linha que serviria também Condeixa-a-Nova.

A receita que poderia advir dessa extensão da linha seria também residual, sendo que o investimento seria de cerca de 56 milhões de euros, ou 63 milhões, caso a ligação fosse até ao Espinhal, também no concelho de Penela, refere o documento consultado pela Lusa.

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