Todos os anos, cerca de 33 mil portugueses morrem devido a doenças cardiovasculares, que permanecem como a principal causa de mortalidade no país.
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A cardiologista Cristina Gavina alerta que, apesar dos números preocupantes, cerca de 80% dessas mortes poderiam ser prevenidas com mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico adequado.
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Segundo a especialista, citada pela CNN Portugal, fatores biológicos como obesidade, hipertensão, diabetes e colesterol elevado aumentam o risco, mas comportamentos relacionados com estilo de vida – tabagismo, alimentação inadequada, consumo de álcool e sedentarismo – também desempenham papel crucial. “Se combinarmos fatores que não podemos controlar, como idade e género, com aqueles que podemos, estamos a pôr-nos à mercê da doença”, sublinha.
Atualmente, doenças cardiovasculares representam 30% de todas as mortes em Portugal, incluindo acidentes vasculares cerebrais, enfartes, insuficiência cardíaca e arritmias, que podem levar a morte súbita. Grande parte do problema decorre da ausência de sintomas claros: “Muitas pessoas não se apercebem porque não dói, e se não procurarem ativamente acompanhamento, não vão saber”, alerta a médica.
Cristina Gavina destaca os “três números mágicos” que todos devem monitorizar: pressão arterial, colesterol e glicemia. “Saber se temos hipertensão, colesterol elevado ou diabetes permite tomar precauções antes que seja tarde”, explica. A monitorização regular, principalmente a partir dos 40 anos, pode ser feita no consultório ou em casa, com medidores de tensão acessíveis.
Além disso, controlar o peso, adotar uma alimentação equilibrada, manter padrões de sono saudáveis e combater o sedentarismo são estratégias eficazes para reduzir o risco de doenças cardiovasculares. A especialista alerta para a desvalorização de pequenos sinais: “As pessoas percecionam estas coisas como pouco relevantes, mas os bocadinhos juntos podem transformar-se numa bomba-relógio.”
Um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge revelou que, em 2014, 68% da população portuguesa apresentava pelo menos dois fatores de risco cardiovascular. A falta de conhecimento sobre a própria situação clínica e medicação prescrita é outro desafio, segundo a cardiologista.
A prevenção é especialmente importante nos jovens, já que nos mais velhos, os danos acumulados ao longo da vida tornam a intervenção menos eficaz. “Estamos a pedir que as pessoas prestem atenção a pequenas mudanças que farão toda a diferença na sua vida futura, e essa prevenção não custa dinheiro, essa é a parte boa”, conclui Gavina.
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