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Este poderá ser o novo Google Street View do futuro

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 semanas atrás em 09-03-2026

Uma nova forma de mapear o planeta está a surgir: milhares de pilotos de drones estão a ajudar a criar uma espécie de “Google Street View do céu”, através de uma rede colaborativa de recolha de imagens aéreas de alta resolução.

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A iniciativa é liderada pela empresa canadiana Spexi, que aposta num modelo descentralizado. Em vez de operar uma frota própria de drones, a empresa permite que qualquer pessoa com um drone participe, descarregando um software que define rotas de voo e recolhe automaticamente as imagens necessárias.

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A rede já conta com mais de 8 mil pilotos e conseguiu mapear mais de 20 mil km² em mais de 200 cidades no Canadá e nos Estados Unidos. Cada voo cobre cerca de 1 km² em pouco mais de uma hora, e os pilotos podem ganhar aproximadamente 100 dólares por hora, dependendo do trabalho realizado.

Segundo Bill Lakeland, cofundador e diretor-executivo da Spexi, citado pelo ZAP, os drones de consumo evoluíram tanto na última década que já conseguem recolher dados melhores do que equipamentos de cartografia muito mais caros. Além disso, como voam a baixa altitude, podem gerar imagens com resolução até 30 vezes superior à dos satélites.

O objetivo é construir uma representação digital detalhada do planeta semelhante ao Street View, mas vista do ar. Esse tipo de informação pode ser usado em várias áreas, como planeamento urbano, avaliação de risco por seguradoras, resposta a catástrofes naturais e desenvolvimento de realidade aumentada e robótica autónoma.

Os dados recolhidos também já estão a ser usados no setor florestal para treinar modelos de inteligência artificial que ajudam a identificar zonas com maior risco de incêndio.

A captura de imagens aéreas começou ainda no século XIX, quando o fotógrafo francês Gaspard-Félix Tournachon (“Nadar”) fez fotografias a partir de um balão de ar quente. Hoje, com drones baratos e uma rede colaborativa global, a recolha de imagens pode tornar-se muito mais rápida e detalhada.

Apesar do avanço desta tecnologia, especialistas dizem que drones, satélites e aviões deverão continuar a coexistir na produção de imagens do planeta. O que muda é a escala e a rapidez com que estas imagens podem ser recolhidas e transformadas em dados digitais.

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