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Estações de Tratamento de Águas Residuais podem provocar doenças

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Uma investigação de Paula Fonseca, docente da Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Coimbra (ESTeSC), revela a presença de estrogénios num nível de concentração considerado elevado nas águas dos efluentes das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

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Esta situação revela ser um problema de Saúde Pública, uma vez que níveis excessivos de estrogénios podem causar disrupção estrogénica (várias doenças), quer nas pessoas, quer nos animais.

Para a investigadora, é necessário garantir um tratamento mais adequado nas ETAR que possa prevenir a presença destes micropoluentes, entre outros”.

Estes resultados são revelados na tese de doutoramento apresentada à Universidade de Coimbra, intitulada “Poluição estrogénica no ambiente: um problema de Saúde Pública”, e são agora publicados em livro, com lançamento na terça-feira, dia 18, às 16:00, no Auditório 3.3, na ESTeSC, com a presença da investigadora, Paula Fonseca, do orientador do doutoramento, Salvador Massano Cardoso, e do Presidente da ESTESC, Jorge Conde.
Segundo a investigadora Paula Fonseca, os estrogénios naturais (excretados via urina e fezes) e sintéticos (anticoncecionais ou terapias hormonais), quando presentes nos efluentes das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), podem causar efeitos adversos na saúde humana e animal. Estes compostos estão incluídos na classe de disruptores endócrinos, ou seja, substâncias exógenas que agem como hormonas no sistema endócrino e causam alterações na função fisiológica das hormonas endógenas, influenciando o desenvolvimento, crescimento, reprodução e mesmo o comportamento dos humanos e animais.

A nível mundial, vários estudos revelaram que a exposição a estrogénios pode causar a feminização de peixes, anomalias no desenvolvimento/crescimento, infertilidade, hermafroditismo, alterações morfológicas e comportamentais. Já nos humanos, é conhecida a relação destes compostos com alterações imunológicas e neurológicas e, no caso dos homens, redução da fertilidade, redução da quantidade de esperma, cancro da próstata e dos testículos, e no caso das mulheres, cancro da mama e ovários policísticos.
Assim, a determinação dos níveis de estrogénios é fundamental para a avaliação de riscos sobre os efeitos de disrupção endócrina no ambiente, que constituem uma preocupante questão de saúde pública.
O estudo da investigadora Paula Fonseca incidiu na análise de amostras de águas recolhidas à entrada e saída de nove Estações de Tratamento de Águas Residuais na região Centro de Portugal, para identificar a presença de quatro tipos de estrogénios (estrona, estradiol, estriol e etinilestradiol); verificou-se que o nível de concentração destes na água, depois do tratamento, é considerado elevado e portanto pode ter efeitos nocivos.
Foram também estudados anfíbios machos (Rana/Pelophylax perezi) em quatro rios junto de estações de tratamento de águas residuais, bem como em dois grupos de controlo de águas não contaminadas. Analisando os valores das concentrações de estrogénios encontradas nos indivíduos estudados, verifica-se que os níveis de concentração registados são mais elevados nos grupos experimentais relativamente aos grupos de controlo. O estudo fornece evidências sugerindo que a prolongada exposição aos efluentes das ETAR pode causar efeitos bioacumulativos de estrogénios nestes animais, devido à persistência destes compostos nas águas.
De acordo com os resultados obtidos, há uma evidência da persistência destes compostos à saída das ETAR estudadas, indicando claramente uma ineficiência na remoção destes compostos durante o tratamento das águas residuais, que são sistematicamente lançadas nos rios, lagos e oceanos, afetando os ecossistemas e a água potável que serve as populações.
Face a estes resultados, a investigadora Paula Fonseca alerta para a urgência de implementação de um acompanhamento sistemático na quantificação de estrogénios em todas as ETAR (após tratamento) do País, de acordo com o número de habitantes que cada uma serve, recomenda a monitorização da aplicação da legislação específica no controlo destes compostos nos efluentes das ETAR, a não utilização de lamas, provenientes do tratamento das águas residuais, como fertilizantes na agricultura, a separação de águas domésticas, hospitalares e industriais, e o controlo de aplicação de hormonas na pecuária e aquacultura, já que estes compostos preferencialmente adsorvem no solo, sedimentos e lodo biológico, pelas suas características físico-químicas.

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