Região

Entre café e dominó: o quotidiano de quem vive nesta aldeia isolada de Arganil

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 minutos atrás em 17-03-2026

Sobral Gordo, uma pequena aldeia do concelho de Arganil, é o exemplo de resiliência e vida comunitária na Serra do Açor.

PUBLICIDADE

Apesar de ter apenas cerca de 30 habitantes permanentes, segundo relatos locais, é uma das aldeias que tem registado crescimento nos últimos anos.

PUBLICIDADE

Completamente devastada pelos incêndios, a aldeia mostra um espírito de união que se mantém visível no dia a dia da comunidade. “Aqui, a Comissão de Melhoramentos de Sobral Gordo tem um papel importantíssimo”, conta Francelina Pires, membro da direção da associação local.

Francelina, que trabalhou em Lisboa na Segurança Social antes de regressar em 2011 para apoiar o pai, destaca o regresso de antigos moradores à aldeia: “Muitas pessoas fizeram aqui a infância, foram trabalhar para Lisboa, agora aposentam-se e vão regressando. Outros vêm cá de férias ou fins de semana.”

Apesar da vida comunitária, a aldeia enfrenta desafios tecnológicos. “Há sete semanas que não há nem telefone nem internet. Precisamos de tratar de coisas básicas, mas não conseguimos porque não há fibra nem televisão”, lamenta.

Mas a vida continua, entre café e dominó. No café da aldeia, quatro mulheres jogam diariamente, mantendo viva uma tradição que dura décadas. “É vício, já está no sangue”, revela Maria de Unilde, enquanto jogam pedras do dominó aprendidas com as tias. A jogatina dura até às três horas da tarde, hora em que cada uma regressa às suas tarefas.

A alimentação e o convívio também são parte desta rotina. “Hoje almocei uma espécie de cozida à portuguesa”, conta uma moradora, enquanto outra revela que comeu “umas asadinhas de frango assadas no forno”. E a alegria da comunidade mantém-se: “Se não beber o meu cafezinho todos os dias, não me sinto bem. Tem que haver o café e a jogatana”, acrescenta Francilina.

Apesar do isolamento e das dificuldades, Sobral Gordo é um exemplo de vida comunitária e de resistência. “Temos a nossa agricultura para tratar e é isso que nos mantém aqui. Visitem, apesar de tudo, é lindo e confortável”, conclui uma habitante.

Sobral Gordo mostra que, mesmo em pequenas aldeias, a união e o espírito comunitário podem fazer toda a diferença, mantendo viva a memória, a cultura e a alegria da Serra do Açor.

PUBLICIDADE