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Opinião

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Abril, 2015, a meio ano das eleições legislativas. A cena política agita-se, António Costa demite-se da CM de Lisboa para se dedicar exclusivamente ao PS e à preparação para a candidatura a Primeiro-ministro.

Ao longe, Costa avista S.Bento e dedica todo o seu tempo a analisar, a criar estratégia e a imaginar como será a sua vida. Espero eu que tenha alguma noção do que anda a fazer e que arranje planos alternativos. O PS tem vindo a descer nas sondagens, sido alvo de algumas contestações e a sua imagem e credibilidade começam a deixar muito a desejar. Afinal, aquele que seria a salvação do Partido Socialista deixou o partido bem mais inseguro e a tentativa constante para atenuar as adversidades com que o PS se tem confrontado passa sempre por arranjar o bode expiatório e convencer-nos de que a culpa morre solteira.

Pego num exemplo: muito se lê e fala sobre a avaliação das agências de rating a Portugal. Mantêm-nos no lixo, é certo, criando um alvoroço e um desconforto quer a nível governamental, quer a nível empresarial e até mesmo nas pessoas que, percebendo do assunto ou não, sempre se assustam com a palavra “lixo”.

É certo que a pressão pelas mesmas exercida causa um enorme impacto. Não cai bem nem é agradável a quem lida diariamente com esses números deixando dúvidas, impasses, tirando o sono e levantando questões. Como referi, muito se lê e fala sobre isto. E, de facto, é bem mais fácil falar do que lidar com a situação. É engraçado assistir às opiniões formadas sobre o assunto e analisá-las nesta altura em que a agitação política para as legislativas se instalou definitivamente. É também sabido que estas agências põem muito em causa mas têm também nos últimos tempos deixado muito a desejar em certas matérias…

Já sabemos que tudo faz parte de um jogo. Porém, o jogo abre a muitos sectores. Não são apenas as mesmas que o criam ou que o jogam. As opiniões que lhes seguem criam um jogo bem mais interessante: O jogo do aproveitamento e como sempre, da oposição a contra-atacar! As opiniões são sempre as mesmas e claro está que se tenta dar a volta com a teoria económica, opinando se o problema da dívida depende mais de problemas macroeconómicos ou microeconómicos.

E nisto lançam-se os dados sobre a dívida acumulada, a evasão fiscal, a globalização, os gastos a mais, a Alemanha, as políticas da UE, o desempenho económico do nosso país (que nos levou à crise por erros fulcrais de governamentação e por interesses de alguns…) e todo um rol de factores!

O engraçado é notar que as regras do jogo se alteram ao longo do tempo, pois quando o PS estava no governo com tudo isto a acontecer, os factos eram apenas mera coincidência! Temos aqui apenas mais um exemplo daquilo a que o PS já nos habituou: A pouco tempo das eleições tudo aquilo que (não) fizeram pelo país tem de ser alterado! Mas a culpa não foi deles!! Foi culpa dos outros, das agências de rating, dos “arranjinhos”… Austeridade? É culpa do governo! O actual governo não quis recuperar a nossa soberania, não quis recompor a economia e erguer o nosso país, não quis recuperar a dignidade e o brio portugueses! Não, isso quer o PS!

Também o queria quando nos levou ao limite, sem dinheiro para pagar aos funcionários e a pedir ajuda externa para podermos sobreviver. Por outro lado, diz António Costa que a nossa Economia e Finanças Publicas não estão melhores que há quatro anos, mas esquece-se que faz agora quatro anos que a Troika entrou e nos subjugou, entrada essa que derivou da governação socialista. António Costa afirma ainda, sobre o PS, que “O país olha para nós e percebe que somos nós que podemos construir uma alternativa”.

A única alternativa que os vejo construir é uma alternativa ao retrocesso, ao regresso à subordinação e à perca da soberania que tão difícil nos foi de reconquistar. António Costa está, a meu ver, a percorrer um difícil caminho: Não consegue libertar-se daquilo que deixou pendente na camara de Lisboa, José Sócrates continua preso e as pessoas não se esquecem do que o condena. (Se nos pusermos a pensar é inevitável encontrar uma forte ligação entre António Costa e a linha do PS que apoiou Sócrates).

As tentativas de separar as águas saem cada vez mais falhadas, os argumentos já nos enchem, já não são novidade e as estratégias tendem a falhar. Não há nada de novo, apenas mais do mesmo!

ANA CDS

ANA MARTINS

Vogal da Distrital de Coimbra do CDS-PP

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