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Empresários portugueses em Angola relativizam nova variante

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A nova variante da covid-19, Ómicron, não está para já a preocupar os empresários portugueses em Angola, que dizem que é preciso saber mais sobre o vírus e, quase dois anos depois, o mundo adaptou-se à pandemia.

Ouvido pela Lusa na Feira Internacional de Luanda (FILDA), onde é um dos expositores presentes, o diretor geral da Angonabeiro, Nuno Moinhos, considerou que a pandemia de covid-19 até se traduziu num aumento da faturação da empresa de cafés, subsidiária do grupo Delta.

Apesar da quebra na hotelaria e restauração, por força das restrições, muitos passaram a consumir mais cafés em casa e a aproximação ao mercado informal ajudou a faturar mais 20% este ano, segundo Nuno Moinhos.

“Mesmo com impacto da pandemia, a Angonabeiro conseguiu reinventar-se, aproximou-se do consumidor de outras maneiras e continuou a vender bastante bem em Angola, estamos a crescer cerca de 20% face ao ano de pré-pandemia”, afirmou à Lusa.

Sobre se a nova variante preocupa, respondeu: “Estamos mais bem preparados, estamos mais vacinados”, assinalando que a empresa já se habituou a ser resiliente e tem lutado contra a pandemia de forma que considerou exemplar.

“Acho que as pessoas se habituaram mais”, salientou, acrescentando que as empresas têm uma responsabilidade com o país onde estão, e não só com os seus negócios, pelo que não se pode deixar a economia parar.

“Impacto haverá sempre, mas acho que temos de ter calma. Apelo à calma dos governantes, à serenidade no tratamento destas questões”, pediu o responsável da Angonabeiro.

O diretor geral da construtora Casais, Álvaro Fernandes, reconheceu que um fecho de fronteiras a nível mundial e novo confinamento “trará uma recessão brutal na economia”, mas espera que esta variante seja controlada.

“Ainda não existe grande informação sobre esta variante. Vamos manter as mesmas precauções, os mesmos modelos de segurança e esperamos que seja uma situação controlada, tanto que a vacinação está em curso”, afirmou, acrescentando que se houver novo encerramento de fronteiras as empresas têm de estar preparadas.

“Penso que, hoje, todos estamos mais bem preparados para a questão da covid. Era uma novidade em 2020, todos tínhamos medo, era o chamado inimigo invisível. Hoje já o conhecemos, sabemos como podemos contornar e isso é importante. A OMS está a trabalhar, os governos estão a trabalhar, Angola também está, temos tudo para que as coisas corram melhor e estejam mais controladas”, realçou.

Apesar da crise económica, a construtora tem tido uma evolução positiva, tanto em termos de número de obras como de volume de negócio, que é “relevante” em Angola, disse Álvaro Fernandes.

“É evidente que Angola, como o resto do mundo está a passar uma crise económica e financeira e pandémica em que nos tentamos adaptar à nova realidade da covid”, disse, mostrando-se confiante nos próximos anos.

“Penso que vamos ter boas novas”, atirou, salientando que a Casais está há 23 anos em Angola e vai continuar porque acredita no país.

Paulo Trindade, consultor imobiliário da Abacus, disse à Lusa que este setor está “em adaptação”, mas continua a ser muito necessário à economia, sobretudo atendendo à especificidade deste mercado com muitos expatriados.

“A atividade empresarial reduziu-se, o mercado adaptou-se, mas está a recuperar”, indicou.

Sobre a Ómicron, a nova variante que está a preocupar o mundo e que levou já mais de 40 países a suspender voos com a África Austral, incluindo Angola e Portugal, comentou que o “desconhecimento é o principal inimigo de uma boa decisão”.

O responsável da Abacus, admitiu que tudo o que venha reduzir a atividade não é bom para a economia em geral, mas acredita que a experiência do ano de 2020, marcado por sucessivos confinamentos a nível global, ajudou o mundo a preparar-se.

“Julgo que agora estaremos mais bem preparados para conseguir trabalhar melhor se suceder algo semelhante”, observou Paulo Trindade.

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