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Empresários dão nota positiva à recuperação da diversão noturna mas permanecem preocupações

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A recuperação do setor da diversão noturna neste primeiro verão sem restrições associadas à pandemia tem nota positiva entre os empresários, com vários registos de casa cheia, reconhecendo-se, contudo, que alguns hábitos mudaram e que o negócio enfrenta desafios.

O elevado fluxo de turistas tem contribuído para que, no Porto, os empresários tenham “casa cheia” e consigam “minimizar” alguns dos danos financeiros causados pela pandemia, adiantaram à Lusa as duas associações representativas do setor da diversão noturna da região.

Destacando que o negócio “está a funcionar bem” e a permitir “resolver alguns problemas de tesouraria”, o presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto defendeu ser preciso “prevenção” por parte dos empresários, temendo que a recuperação impulsionada pelo turismo, que “representa 60% a 80% dos clientes”, se esgote.

“O negócio está a funcionar bem, mas a recuperação está a ser feita à boleia do turismo”, salientou António Fonseca, dizendo que muitos dos portugueses já não procuram aqueles estabelecimentos por, em parte, “terem mudado de hábitos durante a pandemia”.

Lembrando que os estabelecimentos da cidade estão habituados à sazonalidade do turismo, o presidente da Associação de Bares e Discotecas da Movida do Porto afirmou que este verão o negócio está “idêntico” ao de 2019, assim como as dinâmicas de funcionamento, com os turistas a usufruírem dos espaços à semana e os locais ao fim de semana.

Apesar da retoma, observou Miguel Camões, a tesouraria dos empresários “ainda está à justa” e assim continuará “por alguns anos”, tendo em conta o preço das rendas, os custos com recursos humanos e os empréstimos bancários contratualizados por vários empresários durante a pandemia.

A estas preocupações juntam-se o aumento dos preços e, consequentemente, a atualização dos produtos que vendem, o que poderá vir a ter impacto na afluência dos clientes: “A situação não é muito tranquila”, acrescentou.

Em Lisboa, o presidente da Associação Discotecas Nacional (ADN), José Gouveia, avançou com “uma nota positiva para o negócio”, tendo em conta os espaços que fazem atualmente a noite lisboeta, “bastante reduzidos em relação há uns anos” e circunscritos a “zonas limitadas”.

“O Cais do Sodré perdeu casas emblemáticas, o Bairro Alto está um pouco desfasado daquilo que era antigamente, a 24 de Julho é uma zona sombra daquilo que já foi. O espaço noturno está agora a concentrar-se na zona ribeirinha”, explicou.

A maioria dos espaços vão funcionando “sem grandes enchentes”, considerando que se pode estar a falar de espaços noturnos “com a lotação a 70%” e que, desde 2019, têm “conseguido sobreviver” em virtude da resiliência dos empresários.

O presidente da Associação Portuguesa de Bares, Discotecas e Animadores, Ricardo Tavares, contou que a ‘movida’ voltou com “muito fôlego” em setembro do ano passado, mas com “o inverno os números voltaram ao normal”.

O representante alertou para uma “guerra surda que está a proteger os moradores” porque algumas juntas de Lisboa retiraram as esplanadas permitidas pelo município durante os meses em que a pandemia esteve mais acentuada. Os empresários, referiu, “olham para o futuro com esperança”, mas gostavam que o poder autárquico “se entendesse e que os empresários deixassem de ser prejudicados”.

Tanto José Gouveia como Ricardo Tavares reconhecem que a noite lisboeta mudou nestes dois últimos anos, mas se para o primeiro a mudança já se estava a operar, o segundo considerou “um mito” dizer-se que as pessoas estiveram fechadas sem sair: “Começou a haver mais festas privadas e um negócio paralelo que não existia.”

Hilário Castro, da Associação de Comerciantes do Bairro Alto, disse que os negócios “estão a correr bem”, não havendo falta de público, mas reconheceu um problema com o horário diferenciado para o fecho das casas que faz com que as pessoas permaneçam na rua.

“Há muito que lutamos por uma estratégia delineada para fiscalizar os horários de encerramento e uma de acompanhamento para o bairro ficar livre de pessoas. Agora ficam a vaguear, começa a venda ambulante e também o consumo de drogas, com a noite a prolongar-se até às 04:00, 05:00”, lamentou.

No geral, reconheceu, os estabelecimentos “têm cumprido e respeitado um regulamento da cidade de Lisboa que refere os horários de funcionamento de portas”, mas há necessidade de fiscalização.

O presidente da Associação de Discotecas do Sul e Algarve (ADSA), Liberto Mealha, afirmou que a retoma económica no setor da animação noturna “tem sido surpreendente” e que este ano “está a ser um dos melhores de sempre” na região.

“Ao contrário da recuperação lenta que era esperada, o setor está com receitas muito superiores às de 2019, ano que foi considerado como um dos melhores do turismo em Portugal. A situação é confirmada por todos os empresários com quem tenho falado”, avançou.

O também empresário nas áreas da restauração e animação noturna de Albufeira, no distrito de Faro, atribui o crescimento das receitas “ao facto de as pessoas sentirem a necessidade de conviverem, após dois anos enclausuradas pela pandemia” da covid-19.

“É um ano muito positivo e de alívio para os empresários de um setor que esteve em agonia com o encerramento dos estabelecimentos durante aquele período”, notou.

Na opinião de Liberto Mealha, o aumento da procura e das receitas dos estabelecimentos de animação noturna permite aos investidores “olharem com otimismo para o futuro”.

“A retoma económica foi conseguida, mas agora debatemo-nos com o problema da falta de mão-de-obra em todos os setores, o que na hotelaria e restauração se pode traduzir na qualidade do serviço prestado, nomeadamente nos tempos de atendimento”, concluiu.

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