Um empresário, de nacionalidade ucraniana, está a ser julgado no Tribunal de Aveiro por alegadamente ter tentado matar a própria família ao incendiar a casa onde viviam, em Vagos, depois de vários anos marcados por episódios de violência doméstica.
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De acordo com a acusação do Ministério Público, citada pelo Correio da Manhã, os maus-tratos terão começado, pelo menos, em 2022, envolvendo não só a companheira, mas também os dois filhos menores do casal. O caso atingiu o ponto mais grave a 10 de abril de 2025, quando, após mais uma discussão conjugal motivada por suspeitas de traição, o arguido terá decidido provocar um incêndio com a intenção de matar a mulher, os filhos — então com 4 e 14 anos — e ainda a sogra.
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Segundo o processo, consultado por aquele jornal, o homem terá espalhado gasolina por várias divisões da habitação e também sobre as roupas e o corpo das crianças. Quando a mulher regressou a casa, foi ameaçada de morte, tendo o suspeito afirmado que acabaria com toda a família. A vítima conseguiu refugiar-se num quarto juntamente com os filhos e a mãe, enquanto contactava a GNR. Pouco depois, o arguido ateou o fogo.
A criança mais nova foi retirada do interior da casa pela mãe, que atravessou as chamas e sofreu queimaduras ligeiras. Já a filha mais velha e a avó conseguiram sair em segurança após a chegada dos militares da GNR. De acordo com a acusação, o suspeito manteve sempre uma postura agressiva perante as autoridades e tentou impedir o resgate da família, pode ler-se na notícia.
O Ministério Público refere ainda que o arguido incendiou dois veículos estacionados na garagem e terá atirado gasolina na direção de um militar da GNR, apontando-lhe um isqueiro enquanto proferia ameaças, afirmando que todos morreriam naquele local.
Aquele órgão de comunicação social indica que o homem atuou sabendo que o incêndio poderia atingir grandes proporções e provocar a morte das vítimas, resultado que alegadamente pretendia alcançar, não se tendo consumado apenas por fatores externos à sua vontade.
O processo judicial descreve ainda vários episódios anteriores de violência. Durante a gravidez do filho mais novo, o arguido terá recusado prestar ajuda à companheira quando esta se encontrava a sangrar. Noutra situação, agarrou-a pelos cabelos e proferiu ameaças humilhantes. É também acusado de ter impedido assistência médica a um dos filhos quando este se encontrava doente, acompanhando esses comportamentos com ameaças de morte.
O homem responde em tribunal por quatro crimes de homicídio qualificado na forma tentada, três crimes de violência doméstica, um crime de incêndio e ainda um crime de resistência e coação sobre funcionário.
Na acusação, o Ministério Público requereu igualmente que, em caso de condenação, seja atribuída indemnização às vítimas pelos danos sofridos, considerando que a mulher e os filhos foram alvo de sofrimento psicológico, vergonha e humilhação.
O arguido, residente em Portugal desde 2001, foi detido após os acontecimentos e encontra-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Aveiro desde então.
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