Opinião

Elogio de Rúben Amorim

OPINIÃO | PEDRO SANTOS | 2 meses atrás em 03-02-2024

Num meio em que, muitas vezes, parece que ser o maior ignorante descontrolado vale mais de três pontos, Rúben Amorim é para lá de uma lufada de ar fresco: é mesmo um tufão de positividade e respeito. Quase sempre tranquilo, mas nem por isso menos firme, é particularmente impressionante a forma como lida com a toxicidade do jornalismo e do comentário desportivos e com a clubite que afeta quase todos os portugueses que se interessam pelo fenómeno futebolístico.

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Verdadeiro Maldini das conferências de imprensa, desarma com classe as muitas granadas em forma de pergunta que lhe são lançadas todas as semanas, sai a jogar qual imperturbável Beckenbauer das respostas e não raras vezes chega a ser mesmo a parecer um Ronaldinho capaz de fintar qualquer adversário (metafórico).

Exímio a recusar confrontos desnecessários ou alimentar polémicas, escolhe as suas palavras com cuidado, recusando desculpas fáceis, teorias da conspiração ou o atirar de culpas para terceiros. Os dedos de uma mão chegarão para contar as vezes em que criticou um árbitro e não me recordo de alguma vez ter insinuado que a equipa adversária correu mais do que costuma fazer contra os rivais do seu clube… e há quem, com estatuto semelhante, não resista a usar esse argumento particularmente feio a cada derrota. 

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A proeza é ainda mais admirável se considerarmos que, depois de ter beneficiado do elemento da surpresa nos primeiros tempos – é muito raro um treinador de um grande clube em Portugal juntar estas características pessoais – nem agora que já é bem conhecida a sua maneira de agir têm mais sucesso os que tentam provocá-lo ou desviá-lo do trajeto que planeou. Tem os seus defeitos, pois claro, e momentos em que poderia reagir de outra forma, mas não só são muito poucos, como os assume e procura não repetir.

Esta atitude, para mais acompanhada de demonstrações de competência e de títulos, veio mostrar que o futebol, como o desporto em geral, não precisa de ser a lixeira em que tantas vezes se transforma. Rúben Amorim contribui para um ambiente mais saudável e positivo para jogadores, treinadores e adeptos, assim eles sejam capazes de valorizar essa salubridade.

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E daí, talvez possamos partir para um país de Rúbens em diferentes áreas. A começar pela política, não gostariam de ter um presidente de Câmara capaz de assumir que não faz melhor por incapacidade própria e não por culpa do anterior ocupante do cargo, um líder da oposição que fosse suficientemente adulto para elogiar uma medida do governo, ou um primeiro-ministro que reconhecesse que devia ter substituído os defesas… perdão, os ministros?

No fundo, um país onde pudéssemos perguntar: E se corre bem?

OPINIÃO – PEDRO SANTOS – ESPECIALISTA EM COMUNICAÇÃO

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