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Efeitos do aquecimento global podem perdurar “séculos ou milénios”

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Os efeitos do aquecimento global vão perdurar “séculos ou milénios” e resultam “inequivocamente” de responsabilidade humana, constata o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Muitos efeitos do aquecimento global, especialmente nos oceanos e nas zonas polares, “são irreversíveis nos próximos séculos ou milénios”, observam os especialistas, num relatório divulgado hoje.

Mesmo que se atinja a neutralidade das emissões de carbono, o nível de água do mar continuará a aumentar, irremediavelmente, entre 28 e 55 centímetros até finais do século (em relação aos níveis atuais). Se as atuais emissões duplicarem, a subida pode chegar aos 1,8 metros.

A longo prazo, o nível de água do mar subirá entre dois e três metros nos próximos dois mil anos, se o aquecimento global se mantiver nos 1,5 graus fixados no Acordo de Paris, mas pode ultrapassar os 20 metros com uma subida de 5 graus, por exemplo.

O nível do mar subiu, em média, 20 centímetros entre 1901 e 2018, mas se subiu 1,3 milímetros anualmente nas primeiras sete décadas do século XX, agora está a subir 3,7 milímetros, alerta o relatório.

Os oceanos sofreram, em três mil anos, o seu maior aquecimento no século passado e os especialistas vaticinam mudanças irreversíveis, à escala de milhares de anos, na sua temperatura, acidificação e desoxigenação.

Pela primeira vez, o IPCC, um órgão das Nações Unidas, reconhece “não poder excluir” a ocorrência de “pontos de inflexão”, como o derretimento da camada de gelo da Antártida ou a morte de florestas.

Os glaciares perderam superfície gelada em todas as regiões polares desde o ano 2000 e continuarão a perdê-la pelo menos durante várias décadas, mesmo que a temperatura global do planeta se estabilize.

O novo relatório do IPCC, que desde 1988 analisa os efeitos das alterações climáticas, indica também que os glaciares de montanha e dos polos vão continuar a derreter durante décadas ou até séculos, de forma mais acentuada no hemisfério norte do que no sul.

Mas o futuro apocalíptico não é motivo para desistir da luta, porque cada mudança conta, sublinha o painel mundial de cientistas e ativistas.

“Não estamos fadados ao fracasso”, realçou Friederike Otto, uma dos autoras do estudo.

Porém, “este relatório deve estremecer quem o lê”, nota o climatologista Dave Reay, alertando: “Mostra onde estamos e para onde vamos: num buraco que continuamos cavando.”

A menos de três meses da Conferência do Clima COP26, agendada para Glasgow (Escócia), os especialistas apontam o dedo aos humanos, “indiscutivelmente” responsáveis pelos problemas climáticos.

O ser humano tem tido um papel “inegável” no aquecimento da atmosfera, do oceano e do solo, conclui o IPCC, avisando que não há outra hipótese a não ser reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa, se se quiser limitar os danos.

O estudo mostra que o atual aumento da temperatura é comparável ao que até agora é considerado o período mais quente dos últimos 100 mil anos, ocorrido há 6.500 anos.

O relatório considera ainda provável que a atividade humana também tenha favorecido mudanças nas chuvas desde meados do século passado, bem como na maior salinidade da água do mar ou na redução dos glaciares.

As mudanças atuais no clima “não têm precedentes” nos últimos séculos e até milénios, dizem os cientistas autores do relatório.

Por exemplo, a concentração atual de dióxido de carbono na atmosfera, o principal gás com efeito de estufa, ultrapassa 410 partículas por milhão, a maior taxa dos últimos dois milhões de anos.

“A estabilização do clima exigirá uma redução forte, rápida e duradoura das emissões de gases com efeito estufa, para atingir a neutralidade carbónica”, insiste Panmao Zhai, outro autor.

O relatório, focado na vertente científica das mudanças climáticas, será complementado em 2022 por dois outros estudos, realizados por grupos de trabalho do IPCC, um centrado na adaptação das sociedades e outro nas medidas de mitigação.

Os três servirão o sexto relatório do IPCC, previsto para a segunda metade de 2022.

O estudo da principal organização que estuda as alterações climáticas, elaborado por 234 autores de 66 países, foi o primeiro a ser revisto e aprovado por videoconferência.

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