Primeira Página
“Efeitos adversos não conhecidos”: Governo “abafa” riscos das vacinas contra a Covid-19
Documentos oficiais revelam que Marta Temido, ex-ministra da Saúde, e Graça Freitas, antiga diretora-geral da Saúde, asseguraram aos portugueses que as vacinas contra a Covid-19 eram seguras e eficazes, enquanto os contratos assinados com a indústria farmacêutica mostravam dúvidas formais sobre efeitos adversos e eficácia.
PUBLICIDADE
A informação foi relatada pelo SOL que escreve que entre 2020 e 2022, o Estado português celebrou pelo menos 17 contratos e notas de encomenda com empresas como AstraZeneca, BioNTech, GlaxoSmithKline (GSK), Moderna, Novavax, Pfizer e Sanofi, nos quais se reconhecia explicitamente que os efeitos a longo prazo das vacinas eram desconhecidos e que, em caso de lesões, a responsabilidade financeira recaía sobre o Estado.
PUBLICIDADE
Nos contratos com BioNTech e Pfizer, assinados em quatro datas distintas (9 de dezembro de 2020; 12 de janeiro, 9 de abril e 28 de setembro de 2021), é referido que “poderão existir efeitos adversos da vacina que não são atualmente conhecidos”. Em todos os casos, o Estado português mantinha a sua vinculação ao Acordo de Compra Antecipada da Comissão Europeia, celebrado em novembro de 2020, escreve o mesmo jornal.
Enquanto os contratos incluíam reservas, o discurso oficial insistia na segurança das vacinas. Em 18 de novembro de 2020, Marta Temido afirmava que o objetivo era “conseguir que os cidadãos tenham acesso a vacinas seguras e eficazes, em tempo igual para todos”. Ao longo de várias conferências de imprensa, tanto a ministra como Graça Freitas encorajaram a vacinação, incluindo crianças, afirmando repetidamente que “a vacina é segura”. Só mais tarde foi introduzido algum grau de ponderação, com Marta Temido a reconhecer, em 23 de junho de 2021, que “há sempre uma margem de risco que as vacinas não evitam completamente”.
Na mesma notícia pode ler-se que em julho de 2021, o comité de segurança da Agência Europeia do Medicamento (EMA) estabeleceu associação causal entre vacinas mRNA e casos de miocardite e pericardite, com bulas a identificar essas reações como “raras”. Ainda assim, a DGS recomendou vacinação a partir dos 12 anos e, em dezembro, a partir dos cinco anos, invocando experiências internacionais.
Até 31 de dezembro de 2022, o Infarmed registou mais de 39 mil notificações de efeitos adversos das vacinas covid-19, entre 28 milhões de doses administradas. Destes, 8.518 foram classificados como “graves”, incluindo 142 mortes suspeitas, 309 casos de risco de vida e mais de duas mil incapacidades. Entre crianças, 177 casos graves foram reportados. Apesar disso, os dados não foram atualizados posteriormente, e a investigação aprofundada da farmacovigilância ficou aquém do esperado.
PUBLICIDADE