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Coimbra

Ecovia ressuscita em Coimbra!

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A Ecovia vai voltar duas décadas depois! O sistema de deslocações em transporte público com estacionamento de Coimbra foi hoje aprovado, com os votos contra do PSD e a abstenção do Somos Coimbra, na reunião do executivo municipal, que assim ressuscitou a Ecovia, um dos projetos  bandeira dos primeiros mandatos de Manuel Machado, nos anos 90 do século XX.

A Câmara Municipal (CM) de Coimbra vai  então avançar com a implementação da primeira fase da Ecovia, um sistema “park & ride” que consiste na criação de linhas especiais de transporte público para os principais locais do centro da cidade, realizadas por autocarros 100% elétricos e com base em parques de estacionamento periféricos.

Este foi um projeto inovador que surgiu em Coimbra na década de 90, tendo depois sido abandonado e a aposta da autarquia passa por colocar a funcionar novamente este sistema acessível e ecológico que irá poupar a cidade à entrada de milhares de automóveis por dia e à emissão de toneladas de gases carbónicos para a atmosfera.

Em novembro foram aprovadas as localizações dos sete parques de estacionamento periféricos para servir a Ecovia, mas como os parques do Choupal e das avenidas da Guarda Inglesa e Conímbriga necessitam de uma intervenção mais aprofundada, a autarquia pretende avançar já com uma primeira fase de implementação do sistema, tendo como suporte os parques de estacionamento do Parque Verde do Mondego, do Vale das Flores, da Praça dos Heróis do Ultramar e dos dois parques da Casa do Sal (parque Jardim e parque Oeste).  Para servir estes parques vão avançar quatro circuitos: a Linha Vermelha (Casa do Sal – HUC); Linha Verde (Parque Verde – Universidade); Linha Amarela (Heróis do Ultramar – Casa do Sal/ via Universidade); e Linha Roxa (Vale das Flores – HUC).

O objetivo é que as pessoas estacionem nesses cinco parques, sendo depois transportadas para o centro da cidade ou principais polos de destino, como os hospitais ou a Universidade, pelos autocarros 100% elétricos adquiridos pela CM Coimbra.

O projeto passa pela criação de quatro circuitos, promovidos pela autarquia enquanto Autoridade de Transportes e que foram estudados em coordenação com o Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC). São eles a Linha Vermelha, com paragens na Casa do Sal, Pediátrico, HUC (Av. Bissaya Barreto), IPO/Escola de Enfermagem e HUC (Praça Mota Pinto); a Linha Verde, com paragens no Parque Verde do Mondego, Polo I da Universidade (Arco da Traição) e Polo I da Universidade (Rua Larga); a Linha Amarela, com paragens da Praça dos Heróis do Ultramar (Escola Avelar Brotero), Polo I da Universidade (Largo D. Dinis), Praça da República, Praça 8 de Maio (Jardim da Manga), Rua João Machado, Casa do Sal (Oeste), Rua Manuel Rodrigues, Praça 8 de Maio (Jardim da Manga), Praça da República e Polo I da Universidade (Largo D. Dinis); e Linha Roxa, com paragens no Vale das Flores, HUC (Av. Bissaya Barreto), IPO/Escola de Enfermagem, HUC (Praça Mota Pinto) e Pediátrico.

Os circuitos aprovados pretendem captar os principais fluxos de entrada na cidade e apresentam uma boa ligação dos parques aos polos geradores de tráfego. As linhas Vermelha e Roxa são uma alternativa concreta de acesso à zona dos hospitais, assim como a Linha Verde também se apresenta como uma boa solução de acesso ao Polo I da Universidade. A Linha Amarela tem uma dupla função, garantindo a ligação entre os parques de estacionamento da Praça dos Heróis do Ultramar e da Casa do Sal, servindo a alta e a baixa de Coimbra e garantindo oferta para o tráfego que entra na cidade, quer via norte e oeste, quer via sul e este.

O horário de funcionamento das linhas de serviço dedicado ao transporte público de passageiros será das 07h00 às 20h15 nos dias úteis, com uma frequência que deverá variar entre os 7 minutos nas horas de ponta e os 15 minutos nos restantes períodos.

O tarifário a adotar foi estabelecido com a intenção de promover o serviço a um preço competitivo e promover a deslocação pelo sistema Ecovia em detrimento de transporte individual. O serviço pode ser adquirido através de títulos individuais, com validade diária (cada duas deslocações e estacionamento têm um preço de 2,60€) ou de um passe intitulado de Rede Geral +, que tem um custo mensal de 35€ e inclui o estacionamento e as viagens. Existem ainda propostas para entidades que tenham mais de 20 colaboradores, com o objetivo específico de venda em quantidade e mediante a realização de protocolos com os SMTUC. 

Os parques de estacionamento do sistema Ecovia da Praça dos Heróis do Ultramar, da Casa do Sal e do Vale das Flores deverão funcionar entre as 07h00 e as 19h30, no que respeita ao controlo de acesso de viaturas e à venda de títulos de transporte na entrada destes locais. O estacionamento do Parque Verde do Mondego funcionará com o horário atualmente em vigor, das 07h00 às 20h00. Todos os parques, à exceção do da Praça dos Heróis do Ultramar, permanecerão abertos, em regime livre, fora do horário definido para o seu funcionamento.

A CM Coimbra está a trabalhar neste relançamento há vários anos, a começar pela continua renovação da frota dos SMTUC com veículos com melhor desempenho ambiental. Para isso, em outubro de 2018, foi submetida uma candidatura ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR), para a aquisição de cinco autocarros e nove miniautocarros elétricos, respetivos sistemas de carregamento e serviços de assistência técnica e monitorização dos resultados. Em fevereiro de 2020 foi adjudicada a aquisição destes nove miniautocarros 100% elétricos, pelo valor de 2,8M€ e que vão permitir, então, a colocação em funcionamento da Ecovia. Já a aquisição dos cinco novos autocarros 100% elétricos ‘standard’ representa um investimento de 2,4M€ e a proposta também já foi adjudicada.

A mobilidade elétrica tem sido mesmo uma das grandes apostas deste executivo municipal. A 20 de junho de 2019 entraram em funcionamento os 10 novos autocarros 100% elétricos que reforçaram a frota dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), depois de um investimento superior a 4M€, financiado em cerca de 53% pelos cofres da CM Coimbra e o restante pelo PO SEUR. Depois de um ano de operação, estas viaturas elétricas evitaram a libertação de cerca de 510 toneladas de CO2 para a atmosfera, depois de cerca de 440 mil quilómetros de estrada e geraram uma economia de cerca de 140 toneladas equivalentes de petróleo. Mas os dados são ainda mais relevantes do ponto de vista ambiental se tivermos em conta, também, os troleicarros e o elevador do Mercado, que são outros exemplos da aposta da autarquia na mobilidade elétrica. Somando, foram percorridos cerca de 480 mil quilómetros em veículos elétricos no último ano, que na globalidade evitaram a emissão de quase 600 toneladas de gases carbónicos para a atmosfera, criando uma poupança energética de cerca de 160 toneladas equivalentes de petróleo.

Ana Bastos, do movimento independente Somos Coimbra, lembrou que o projeto foi melhorado e reduzida a extensão de algumas linhas, agora com trajetos mais curtos. Mas aponta que as imposições ao estacionamento do Parque Verde “é a prova que o projeto foi atabalhoado”.

O Somos Coimbra acrescenta que “importa construir um parque de grandes dimensões junto à estação velha, e ainda a construção de uma paragem extra na Avenida Fernão de Magalhães”, na linha amarela. Considera que o tarifário se revela inadequado e que os parques no centro da cidade podem resultar que cidadãos que já usariam os transportes públicos, voltem a usar o carro particular.

Já Madalena Abreu, do PSD, considera que para a aprovação deste projeto seria necessário compreender quais as receitas e as despesas que envolve, dados que não foram dados a conhecer até ao momento, revela. Outro dado que conduz ao voto contra é o desconhecimento da origem do financiamento, que não há informação sobre se parte de fundos da câmara ou fundos europeus.

Também Paulo Leitão, do PSD, votou contra ao projeto, por considerar que “devia haver um estudo consistente sobre o impacto da mobilidade em Coimbra e o impacto custo-benefício nos SMTUC”, e acrescenta: “enquanto estas questões não forem devidamente esclarecidas o projeto não poderá ser votado favoravelmente”.

 

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